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DUETO POÉTICO CARLOS & DENISE _RIFA-SE


RIFA-SE

Rifa-se aquilo que queremos e o que não queremos também
Rifa-se uma oração, um salmo divino, um pastor dizendo amém
Rifa-se um coração quebrado por um amor enganoso
Rifa-se uma bala perdida resultada de um crime doloso
(Quem compraria tal oferta de ocasião?)
(Penso que apenas o ladrão!)

Rifa-se uma tela em branco à espera de sonhos coloridos
Rifa-se a cura de males profundos, de amores sofridos
Rifa-se dólar, euro ou até real_ (rifas sensacionais!)
Rifa-se a esperança de uma vida melhor, de um mundo de paz
(Quem compraria tal oferta de ocasião?)
(Penso que toda uma multidão!)

Rifa-se aquilo que queremos e o que não queremos também
Rifa-se a ternura esquecida,a rosa branca,a dúvida da vida no além
Rifa-se uma sonata imperfeita de compositor decadente
Rifa-se a cor que não há no arco íris, a fé do crente

Rifa-se tudo...Rifa-se nada, a luz da madrugada
Rifa-se o amor...rifa-se a poesia
E esta rifa com certeza, toda ela, eu compraria!

Denise Severgnini


Rifa-se
Rifa-se um coração partido,
de um pobre poeta apaixonado,
que teve seu sonho destruído pelas trevas da desilusão.
rifa-se um coração de um velho deprimido.
Rifa-se um coração que há muito bate descompassado.


Rifa-se uma caixa de lembranças,
que no tempo ficou esquecida,
dentro dela estão mil sonhos das minhas adormecidas crianças.
Rifa-se um antigo livro de sonetos de Augusto dos Anjos;
um álbum cheio de fotografias da minha cidade.
Rifam-se duas imagens de conhecidos arcanjos.
Rifam-se da minha alma de poeta todas as esperanças.


Rifam-se essas flores,
que não foram dadas como presentes para as belas moças,
que pensava eu serem meus verdadeiros amores.

Rifam-se essas velhas caixas com meus brinquedos,
meus companheiros de infância...

Rifa-se um livro com as fotos da cidade.
Rifa-se um caderno com uma poesia inacabada;
que gostaria de poder entregar a outro amigo camarada.
Rifa-se uma infância passada com dias de felicidade.

Rifam-se muitos segredos,
que jamais puderam ser confessados,
muitas das minhas aventuras que foram terríveis pecados.
Rifam-se de minha alma uma centena de medos.

Rifam-se meus sonhos imortais,
os meus tempos de juventude,
toda a minha virtude ...
Rifam-se todas as recordações de bom tempo que não volta mais.
Rifa-se meu bem de valor inestimável: minha virtude
   
Rifam-se esses livros de Romance que pude ler,
rifa-se essa perfumada flor
que nunca pude dar ao meu único e grande amor .
Rifa-se uma caixinha de sonhares,
com esses poemas dos meus cantares.
   
CARLOS Boscacci





Denise Severgnini
Enviado por Denise Severgnini em 12/11/2005
Código do texto: T70778


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Sobre a autora
Denise Severgnini
Novo Hamburgo - Rio Grande do Sul - Brasil, 61 anos
11345 textos (953641 leituras)
16 áudios (8942 audições)
311 e-livros (34589 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 28/09/20 22:03)
Denise Severgnini