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A Mulher de Barisal

Seu olhar o rumo perde,
Não consegue num ponto se fixar..
O cheiro de morte já fede,
As lágrimas dos olhos à secar!

A voz some sem saber explicar,
A desgraça que de repente veio...
Mas, fala mais alto o olhar,
"- Perdi meu pouco! Nada mais tenho!"

As mãos calejadas e cansadas,
De uma vida de intensa sobrevivência...
Não há tempo para piadas...
Não há tempo para carências!

Esse olhar que se perde na devastação,
Ainda olha o mesmo céu...
Reflete a dor de um coração,
Escondida por um fino véu!

Que se rasga ao contemplar,
Essa fatalidade impiedosa....
Já não se tem mais onde morar,
Ficou apenas essa sensação dolorosa!

Juntar o que se resta ainda,
Buscar no rastro do exterminador...
Foi sempre assim em minha vida,
Juntar pedaços sem importar- se com a dor!

Oh, manifestação devastadora,
Varreste minha vida sem piedade...
Por que não levaste essa rotina sofredora,
E deixaste apenas a saudade?

Não importa a dimensão que tenhas,
Nem de sua fúria poderosa!
Mesmo que de novo venhas,
No meu olhar há uma ação milagrosa!

Tudo que de mim roubaste,
Criando esse rastro de destruição...
Essas crianças ainda me deixaste,
E por elas, não sou vencida não!

Guardiã da Ventura,
Segunda- feira, 19 de Novembro de 2007, 17:44
Shimada Coelho A Alma Nua
Enviado por Shimada Coelho A Alma Nua em 20/11/2007
Reeditado em 06/08/2009
Código do texto: T744118

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Sobre a autora
Shimada Coelho A Alma Nua
São Paulo - São Paulo - Brasil, 46 anos
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Shimada Coelho A Alma Nua