NOSSO "MARIA FUMAÇA" E AS LEMBRANÇAS ANEXAS

(em resposta ao TREM D’ÁGUA
de Fernando Cunha Lima)


A máquina preta bufando
Fazendo PIUÍ... PIUÍ...
Trazendo água potável
Lá do Rio Piquiri.

O maquinista, simpático,
Auxilia com a mangueira.
José está surumbático
Mas Rosinha está faceira.

Biluca rala o joelho
Numa queda que levou
Quando, ao correr, lata à mão,
No trilho ela tropeçou.

É preciso pegar água
Pois em casa já não tem.
A lagoa é só torrão
E a cacimba também.

Para o Rio Pirari
Légua e meia de viagem
E carona num burrico?
Não. Só se pagar passagem.

Trouxa de roupa à cabeça
A cantar uma modinha
Vai a moçada, a pé,
Voltando de tardezinha.

Batendo a roupa nas pedras
Que servem de coradouro,
Cantam como passarinhos
Em gorjeios de namoro.

Domingo, de manhãzinha,
Há missa lá na Capela,
Hoje Matriz de São João,
A mãe pela filha vela.

São saudades verdadeiras
Que me põem a sonhar.
Ah, se eu pudesse!... Queria
Àquele tempo, voltar.



Rosa Regis
Natal/RN – 30 de dezembro de 2008
23:30h