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SÉTIMO ANDAR


Da minha janela vejo as ondas
Bordando a orla da praia,
Pássaros em vôo aleatório,
Crianças correndo pro mar.

Corpos, na areia estirados,
Sequiosos de calor e de prazer
Do sol sorridente no alto,
Lembram uma imensa morgue

Dormitório de todos os orgulhos.
Procuro um corpo especial,
Mas a janela tornou-se distante
E a vista cansada demais

Não pôde, a distância, identificá-lo.
Desço do sétimo andar:
Quem sabe eu ainda encontre
A sua pisada na areia!

Tarde! O mar enciumado,
Num ataque de fúria,
Ordenou à cúmplice água
Tirar da areia molhada
A marca dos seus pés,

E deixar muitas conchas e seixos,
Instrumentos torturantes
Dos pés enrijecidos de frio
De minh’alma esperançosa.

30/07/06.
Maria Hilda de Jesus Alão
Enviado por Maria Hilda de Jesus Alão em 30/07/2006
Código do texto: T205432
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Maria Hilda de Jesus Alão
Santos - São Paulo - Brasil
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Maria Hilda de Jesus Alão