Finais de ano

Finais de ano são melancólicos

Neles retomamos lembranças,

Poesias, saudades.

Vamos catando os caquinhos que ficaram pelos meses

Juntamos um pouquinho a cada e de cada dia

E sempre sobra ou falta alguma coisa

Não deveria existir final de ano

Mães também não deveriam morrer

E a chuva nunca deve cair quando estamos na rua

Aos poucos percebemos que a vida é a finitude

Um caminhar constante para ela. Sem interrupções

Umas puxam aqui e ali e outras colocam coisa lá e acolá

Mas os finais de ano devem ser assim mesmo

Tal como a vida o tempo e o espaço têm o fim

E louvo aqueles que encontram alegrias nas festas

Acho tudo tão hipócrita, fingido, ostentatório e inútil

Uma obrigação de feliz repousa sobre ombros cansados

E não consigo ser solidário

Prefiro ser o "solitário", encerrado em minha companhia

É porque estou ficando velho como o velho do asilo

E, tal como o ano, vejo que o meu fim também se aproxima