E DE REPENTE, O ÚLTIMO OUTONO...

Não ouço tuas palavras... Eu apenas invento para

mim mesma que as ouço, como invento tua presença,

teu cheiro e até a tua saudade, de mim...

Imagino - te rolando na cama, nas noites de insônia,

o corpo suado, os olhos parados, olhando para o nada,

para lá, onde pensas ver minha imagem, dançando na

brisa, correndo nas nuvens, colorindo meus olhos de

arco – íris, brincando na chuva ou brilhando ao Sol...

Saudade é uma mistura de loucura com desejo e eu te

desejo com loucura...

Meus pensamentos divagam à solta, levam – me para

lugares e momentos, reais e sonhados, trazem lembranças inesquecíveis...

E de repente, o último outono...

As árvores coloridas, suas folhas matizadas de cores

quentes, indo do amarelo ao dourado, ao vermelho, que íam caindo lentamente, formando uma alcatifa colorida e perfumada, no chão macio... Ouvíamos o trinar dos passarinhos que pareciam tristes,

o murmurar do riacho, o zumbir das abelhas; borboletas

volitando por entre as frondes, se confundiam com a folhas,

e as cores do beija flores se destacavam entre as flores silvestres...

Havia um perfume de indescritível fragrância, no ar, mas exercia um efeito quase hipnótico, nos sentidos, como uma poção fluida que se inala e se vai reagindo, a ela, sem que se perceba...

Rindo e brincando, trocando beijos suaves e correndo

de mãos dadas pela margem do riacho, explorando ninhos

já abandonados de pássaros que imigraram; dançando

ao som de uma melodia que apenas nós, ouvíamos,

enlaçados e nos movendo lentamente, mas sentindo

com intensidade o cheiro inconfundível do corpo um

do outro, o calor que emanava, ambos se misturando

e despertando nossas emoções mais íntimas...

E como num bailado sensual, nossos corpos se

embalavam num movimemto frenético, até que a

ensurdecedora música dos nossos sentidos ía se

suavizando, dando lugar à languidez dos olhares

cheios de ternura, cintilantes de amor...

Foste tudo, em minha vida... Hoje és o som do silêncio

que gosto de ouvir, sem mais nada desejar... Nem sonhar

que, "Algum dia, em algum lugar, eu te encontrarei..."