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Felicidades e angústias de uma mãe,no dia do casamento dos filhos.......

FELICIDADES E ANGÚSTIAS DE UMA MÃE
NO DIA DO CASAMENTO DOS FILHOS .
Arneyde T. Marcheschi


Quando nos casamos, nos sentimos felizes, contentes, mas quando casamos uma filha ou um filho, é uma emoção tão forte, indescritível.
Pareceu-me estar voando, no dia em que minha filha se casou, 29 de agosto de 2000.
Quando as portas da Igreja se abriram, vi surgir um casal lindo, pareciam dois príncipes, meu filho Rodrigo que conduzia sua irmã Giovanna, a noiva, ao altar. É difícil descrever as sensações que tomaram conta do meu coração de mãe nesse momento, principalmente, por eu ter ficado viúva ainda muito cedo, e não poder,compartilhar esse grande momento, que é, sem dúvida, depois do nascimento dos filhos, a data que mais nos enleva, nos dá a sensação do dever cumprido e, ao mesmo tempo, nos causa um grande medo que nos induz ao pânico, se não soubermos manter o autocontrole.
Casamento é um ato que nos comove, que nos faz voltar ao passado, nos traz à memória cenas antes já vividas por nós, por nossos pais, por nossos avós, cenas que passam de geração em geração, a continuidade da família.
Mas, quando o casamento é dos nossos filhos, emoções intensas nos dominam e as lágrimas escorrem pelo nosso rosto num misto de amor, felicidade, dor e saudade.
Dor, porque, a partir de então, começa para eles uma vida nova e para nós uma vida vazia, repleta de recordações da casa cheia de moças e rapazes, das festinhas que faziam aos sábados e, no lugar das festas, antevemos o silêncio dos quartos vazios, antes cheio de roupas espalhadas, sapatos e bolsas aqui e acolá; agora será tudo na mais perfeita ordem, onde haverá apenas fotografias, bonecas, que farão reviver a infância, quando eram somente seus. ( os filhos)
Eles serão apenas os filhos que virão nos visitar aos domingos, feriados, aniversários, nas datas festivas.
Não os teremos mais, diariamente, no café da manhã, no almoço, no lanche da tarde, em meio a cadernos, pranchetas, cachorrinhos de pelúcia, patins, bicicletas...
 A casa será de uma ordem sem fim, mas, também, de um silêncio que aterroriza.
Esses são os pensamentos que ficam remoendo o cérebro de uma mãe quando ela assiste ao casamento de seus filhos. Parece que estamos assistindo a um belo filme de amor em que há sonhos e romantismo; depois, numa bela recepção, recebemos tantos beijos, tantos abraços e votos de felicitações, e vemo-nos cercadas de amigos com os quais dividimos esse momento lindo e terno.
Entretanto, quando a festa termina, os noivos embarcam para a tão sonhada viagem de lua de mel, olhamos em torno e o que vemos?
...Nada, somente uma pilha de presentes que ocupa quase todo o espaço da sala, o rico e belíssimo vestido de noiva, antes bem passado para ser usado pela princesinha, agora amassado, sujo, jogado em cima da cama, parecendo abandonado.
Sentamos ao lado dele, conversamos com ele, contamos-lhe coisas do passado, revivemos o dia do nascimento: que bebezinho lindo, como cresceu, como engordou! Agora o nosso bebê não existe mais...só nas lembranças, no álbum de fotografias, dentro do nosso coração.
Nossa casa antes tão ruidosa de música e risadas, hoje taciturna, triste, sem vida, sem sorrisos...
 De repente, sonhamos com crianças correndo pelo jardim, dando em falsetes os primeiros passos, os primeiros sorrisos, as gracinhas, e não nos sentimos mais tristes, saudosas, nem sozinhas. Nós começamos a entender que a vida retornará com o nascimento dos netos e que nos tornaremos mães novamente, só que com mais experiência, sem medos, nem insegurança, e que teremos, além da filha que casou, mais um filho e um monte de crianças correndo pelo jardim sorrindo enquanto nós, sorrateiramente, ajeitamos aquela mecha branca que teima em cair no rosto, para esconder aquela lágrima de felicidade que teima em rolar face abaixo ao ver com orgulho o nascimento de mais uma geração, a continuação do nosso sangue nas veias dos
pequeninos seres que nos dizem sorrindo: Oi vó, cheguei!...

Vitória- E. Santo 28/08/2002
www.vidatransparente.com.br
(madrugada, 04.00 hrs, véspera do casamento da minha princesinha Giovanna....coração feliz, mas já apertado de saudades...saudades das horas que passavamos conversando, rindo, brincando....hoje sei que será tudo diferente, assm caminha o mundo...ela terá o seu mundinho, e nesse com certeza ocuparei um lugar bem pequeninnho....é natural, tem seu marido, os filhos que virão....o que importa é que ela seja muito...mas muito  feliz)....


Arneyde Tessarolo Marcheschi
Enviado por Arneyde Tessarolo Marcheschi em 19/09/2007
Código do texto: T658966

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Sobre a autora
Arneyde Tessarolo Marcheschi
Vitória - Espírito Santo - Brasil, 68 anos
153 textos (4857 leituras)
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Arneyde Tessarolo Marcheschi