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BLADE RUNNER (adaptação de um poema a uma música clássica)

Bate o sino
pequenino
lá bem no cimo
da igreja
passa ao fundo
da avenida
aquela que ninguém corteja

Sobre a ponte
por ela atravessada
corre um rio
estilizado
esterilizado
a caminho
do cardeal

É um ponto
geográfico
para onde todos vão
só há um que não o faz
faraónico
anti-razão

Bem no alto
da última casa
dessa cidade
vive um sábio
desolado
pelo tamanho
da sua imortalidade

Por cima dele
demasiado longe
vai um barco
a voar
procura-o insistentemente
mas nunca
o irá encontrar

Perde-se na grandeza
do centro
mas paira, sem parar
podia ser um vingador
funcionário público
a fazer horas
antes de se ir deitar

Querem-no completo
no seu âmago
intacto
querem-no de alma
para continuarem
de facto

Cidade gótica
demasiado
transcendente
vivem em si
os restos
de nós dementes

No enjoo
das ruas
inúmeras
perdeu-se
o sentido
da humanidade
caçada
a peso de ouro
pelos órfãos
da variedade

Jogo
Cibernético
o dever
e a ordem
de arma
em mão
há uma falha
há que matá-la
na ilógica
ingratidão

Jogo
de espelhos
Primus
Inter pares
no calor
da tecnologia
incinera-se
quem nela
vive
sem porfia

Por isso
e por nada
ele foge
sem saber
porquê
mestre
na arte
do nada
espera
não esperando
a sua vez

Depois vem outro
e mais outro
cruzada sem herói
mas como apanhar alguém
que tudo perdeu
que tudo o que tem
destrói?

Viu momentos
perderem-se
no tempo
como lágrimas
na chuva ácida
pecado maior
a ser
exorcizado
num holocausto
que fez dele próprio
sua máxima

Poema protegido pelos Direitos do Autor
Miguel Patrício Gomes
Enviado por Miguel Patrício Gomes em 14/05/2006
Código do texto: T155924


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Sobre o autor
Miguel Patrício Gomes
Portugal
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Miguel Patrício Gomes