... e nos tornamos distantes
Almas ausentes num mundo frio
E o vazio estonteante
Fez do poeta delirante
um ser sem vida e sem brio
no cio da poesia
Já não havia parto
apenas partidas

... e a sombra que assombra
a saudade dos amantes
Foi se apagando
Como rascunhos do que não foi dito
Como o poema que ficou no pensamento
Como a chuva que durou um momento

Tantos sonhos instigantes
Hoje sobras fatigantes
Dos desejos irrealizáveis
Ah, miseráveis horas mortas
Em linhas tortas
Caminha esse pobre mortal
Tão racional
Estupidamente normal
Foge para além do horizonte
Busca no ontem
respostas para o amanhã
Encontra a fonte
E umedece a fronte suada
Emudece, deixa a alma calada
Deixa os rastros na calçada e segue
Mas, não desista... não se entregue
Porque a esperança se renova
Enterra em funda cova
Os despojos das dores infindas
A vida há de ser linda
E ainda haverá motivos para os risos
Jamais se espante
Com a ausência dos amigos leais
Segue em paz... essa via dissonante
Deixe versos no caminho
E palavras ao vento
Voa poeta para o ninho
E cante...
mesmo que seja um canto triste e distante....