Desejo de morte

Volúpia singela, treva e desgraças

pálida sombra que se esgueira entre as praças

Suga minha veia serena ninfa de sangue

escoe etérea e vem ser minha chaga

crava no meu punho tua mortal adaga

que serei todo noite em tua mente desvairada!

Se-de fria e queixume e mácula

como aquela singular tarde calada

em que o Sol se confundia com teus rubros lábios

e eu sonhador tocava esses dois ocasos!

Escuridão cansada e tranquila e gelada,

sopro de versos femininos e viris e profundos

Quietos na íris de um desesperado e moribundo!

Dou-lhe cravos, Mármore do mundo,

são silenciosos como uma flor deve ser,

quietas flores tão mortas que já podem ir ao túmulo...

Dou-lhe, também, violetas se quiseres

cantoras do horror e do Húmus

solidões tão amplas como teu humor soturno,

te acompanham em tuas liras vaguejantes

já que sou amargo demais para contigo soltar calmas notas,

prefiro, minha pálida, soltar estrondos dignos de pena!

Vasculhar meu âmago e meu coração sem pranto

Quem sabe ver teu reflexo e amá-lo talvez

entre a loucura e a consciência desconfiável

perecer sob e sobre a Lua num sonho afável

e acompanhar-te nesta tua estranha e cadavérica tez!

ralv
Enviado por ralv em 26/12/2009
Reeditado em 02/01/2010
Código do texto: T1996836