O velho poeta deixou o coração
Numa curva da estrada
Saiu assobiando uma canção
Que lembrava a mulher amada

Seus olhos refletiam um brilho
Pareciam estrelas coloridas
O velho poeta andarilho
Fez dos versos sua vida

Guardou a alma numa caverna
Foi embora vazio e solitário
A solidão com uma voz materna
Disse-lhe que sofrer é necessário

Quanto mais sofre o poeta
Mais belos tornam-se os versos
Quando a jornada estiver completa
Ele atingirá os limites do universo

E o velho poeta conhecia o enredo
Desse poema torto chamado viver
Resolveu fugir do amor e do medo
Entre as palavras foi se esconder