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Canção do Amor e da Ira Calada

Que a melancolia
não me leve a sombra
de árvore viva
em alma de primavera

Que não oiça
a maré alta que soa...
Quero ficar quieta
a sonhá-la, da duna...

Que a duna do meu peito
permaneça adormecida
não a toque a chama
nem a ventania

Que os meus olhos ousem
uma vez na vida
olhar o sol de frente
e depois fique cega

cega, deixarei passar sem ver
toda a lonjura onde não fui nem irei
todo o ouro, todo o azul.

E, ainda que não vendo,
vereis vós ´
os meus tormentos
fazerem-se vulcões meus olhos
que foram ensombrados lagos

ah, deixai-me ficar quieta
no meu terraço florido
com pássaros cantando!

Levai o vosso sossego
do meu ser angustiado!

Que o sol me seque o pranto
e o ar o leve escondido...

 

Maria Petronilho
Enviado por Maria Petronilho em 13/02/2005
Reeditado em 14/01/2009
Código do texto: T4272
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Maria Petronilho
Almada - Setúbal - Portugal, 67 anos
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