Realidade...

Quando olho para trás...

Vejo a escuridão do passado

Querendo me abraçar...

Como um amante apaixonado

Buscando rever seu lugar...

Querendo repousar em meu seio e sonhar!

Sinto um vazio, um vácuo no peito...

E dilacerada me pego a chorar...

Vislumbro meu rastro impregnado

De um musgo pegajoso, esverdeado

Que escorre de mim, se espalhando pela trilha

Que estou agora...

Quebrou-se o encanto...

A sereia voltou ao mar

E canta para os raios da lua..

Que observa ao longe

Meu avanço nas turvas águas

Tristes “mara” de mim

Eu que busquei o precipício reluzente

Chamado ilusão...

Cobri minha nudez

Com uma chita rota

Folha de parreira transparente

Transparência que me fez ver o sol...

Louca, esqueci-me que só de olhar

O astro rei nos cega a vista

Apaixonei-me pelo vento

E só agora me dei conta...

Face sem proteção

Deixei minha pele exposta

Meu corpo entregue...

Minha sanidade foi morta...

Só me resta agora

Esconder-me nas lembranças,

Me parece o lugar mais seguro

Pois lembro dos meus lampejos de liberdade

De felicidade...

Insondáveis minhas lembranças

Quando percebo o frágil que me apego enfim

A gênese de minha tristeza opera

E surge um mundo destroçado

Natimorto, fétido e purulento

E sucumbo a realidade...

Minha companhia é a solidão

Sempre foi...

Se escolhi, não sei dizer

Sinto não ter tido opção...

A minha única certeza é:

Estou jogando fora os cacos do meu coração

Para não correr o risco

De um dia,

Imaginá-lo mais uma vez refeito

Pois a descoberta do não feito...

Dói... uma dor além da alma!

Observadora
Enviado por Observadora em 07/12/2017
Reeditado em 07/12/2017
Código do texto: T6192192
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2017. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.