INÉRCIA

sinto-me imóvel

calada em mim mesma

presa ao solo

de meu infértil sentir

deixo-me assim

sem reflexos nos olhos

sem a luz que um dia emiti

o sangue que pulsa em mim

é o pó que semeei

em dias férteis

hoje não aspiro a nada

pois tudo em mim expirou:

a vontade de sentir

o desejo de sorrir

são coisas tão distantes

estou há anos-luz

de quem fui um dia

perdi a ânsia de partir

a estrada que se movia em mim

ficou obstruída

não leva mais a lugar algum

tenho incêndios na garganta

vivo ocultando meus gritos

sem enxergar infinitos

vivo à margem de mim mesma

inerte, prostrada, caída,

um ser quase sem vida...

Francis Faria
Enviado por Francis Faria em 09/07/2018
Código do texto: T6385510
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