VERDADES

Eu nunca fui boa com as palavras,

Com quase nada, na verdade.

Sempre fiz parte daquela sombra que resgata em alívio um dia ensolarado.

A neutralidade corresponde em silêncios,

E o medo que paraliza as flores...

Eu emoldurei em meu caminho.

Tudo é ilusório. Eu sei.

Das mentiras adocicadas,

você é a mais desonesta. A verdadeira.

Por duas razões:

quando abraçou meu choro dizendo que sou forte

até em minha fraqueza,

Que meus cabelos não podiam cobrir o medo que eu sentia de voar...

Quando sua liberdade passou a ser minha vergonha,

E a prisão que já existia em meus cabelos,

você fez resgatar os fios do medo;

Provou que não faço parte da sombra,

Provou que sou a sombra,

Aquela que em lágrimas sempre esconde o medo,

Que chora sem saber o porquê,

Que ninguém ouve, entende...

porque eu não sei dizer.

E cada toque seu fez uma cicatriz em mim,

Dessas que são incapazes de fazer a luz entrar,

E mesmo que não tenha perfurado em absoluto o meu maior medo,

É sobre amor que falo quando não consigo

mais me amar...

É sobre tristeza e ódio que sinto

quando me dizem:

"um dia você vai encontrar alguém que te ame verdadeiramente",

Como se minha cicatriz fosse apenas ser curada com um toque ameno,

Um eu te amo que me proporcione asas

E nunca me faça voar.

Sinto dizer ao meu eu:

algumas vezes eu desejo ser amada,

Na maiorias das vezes,

Eu queria poder não sentir nada.

E num disfarce de paz e alegria,

Atirar meu ser em qualquer ventania,

Deixar que a alma se parta,

E você, e todos os outros que já fizeram

parte dessas lágrimas,

Desejo flores e verdades,

das mentiras que criaram em mim,

Desejo a verdade mais dura e sincera.

Dylla Vicente
Enviado por Dylla Vicente em 17/05/2020
Reeditado em 17/05/2020
Código do texto: T6950261
Classificação de conteúdo: seguro