Calvário de um vampiro

Noite,hora da loucura e da volúpia

santuário dos morcegos insones

realizando suas façanhas dúbias

e de névoa alimentando suas fomes!

E com a podridão de seus movimentos

insalubram a Cortina dos sonhos,

reinterpretam o véu e seus astrais casamentos,

a Madrugada são só pesadelos,tristes e enfadonhos...

Olhando a abóboda nevoenta

vejo que a Lua me nota

só não se compadece desse morcego de tez macilenta

ou lhe ensina uma menos dorida Rota.

O espaço-tempo de minha santidade

está tão longe e perdido do meu ser

que apenas com a parte pertencente a humanidade

é que posso contar e deixar minha aura desvanecer...

Madrugada,hora da febre e da loucura

hora em que se ouve os passos do Vil

e na antropofagia de tal Miséria

sou antes pálido e rubro que viril!

Noite,hora do silêncio e do dormir

Mãe de formas sós e encabuladas

desejei tanto fugir de tristezas,de outra forma existir

que ao me tornar morcego até minhas mágoas ficaram aladas!

ralv
Enviado por ralv em 27/11/2005
Código do texto: T77165