Carinho triste

O poente em seus olhos se faz um poema mudo

Que a vida afoga e enflora tristes ventanias d'outras vidas

Para renomear as palavras, os afetos,

tudo... desesperadamente.

Meu coração é um desencontro em encontro com o vago.

Sou costureira de trapos, vou remendando os pedaços.

Nunca estou por inteira. Sempre sou os cacos.

O coração é um colóquio tempestuoso,

um prenúncio chuvoso.

Minha chuva alaga os passos,

inunda a garganta, chove em qualquer canto...

Ah... há hiatos fragmentados, demasiados

para uma vida inteira ser vivida em silêncio.

Meu coração é meu Carmelo.

Sem ti... permaneço chovendo

em busca do nepente que abrace a dor.

Sua ausência sempre foi tão presente,

onisciente em meus passos, sei...

Que tanto, tanto te levo em meus braços.

Ah! São tantas, tamanhas, poucas ou nenhumas...

Apenas te levo com saudades!

E sigo em busca daquele carinho triste,

Daquele que dizia "deixar sempre faz parte",

Fazer parte me exige partir...

Dylla Vicente
Enviado por Dylla Vicente em 28/07/2021
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