RECEIOS EXTERIORES

O mar parece dormir nas minhas entranhas,

dentro das noites silenciosas e estranhas

em que as tempestades são perenes e têm cios

para atrair as majestades gigantes

que eu gostaria que fossem ilusórias,

enquanto se tornam minhas habitantes.

Mas os fantasmas se cristalizam à minha frente,

quando sem disfarces, e com faces de pedra,

me perseguem na conta do banco de forma persistente,

nas filas dos supermercados, onde nada me medra,

e me fazem transformar o estômago vazio

em fome real e concreta.

JOSÉ SOUSA
Enviado por JOSÉ SOUSA em 16/07/2005
Código do texto: T34764