Cais da Alma

A onda anda,

Aonde anda a onda?

Beijando a areia da praia,

A viajar nos meus olhos que marejam entre minhas mãos.

Anda onda, na onda dos meus orvalhos.

A andulante espuma espalha pelo meu corpo, carícias imersa, emersa da minha universalidade que desfila no fosco pensar do meu mar covarde.

Assim, navego no arrebol dos meus medos. O

Onda, anda na espuma dos meus segredos!

Em seu caracol rolam os meus dedos,

Na onda gigante vão-se os meus sobejos.

Solto-me dos arrecifes afoita,a querer dominá-lo.

Mergulho no cais da alma, sargaços a boiar nas correntes dos meus retraços,

Onde meu ser descama emoções inenarráveis.

Imerge-se do âmago a forte influência dos mistérios,

Largo-me dos desenganos no oceano profundo e sobrevivo às águas cristalinas do seu lado mais escuro.

O sal de águas azuis andam nas ondas do verde mar e os meus olhos acompanham os pescadores a marulhar.

De noite volto ao mar para buscar a lua, tão nua, tão minha, o mar e a lua juntos a me embriagar.

Silêncio nos meus olhos, sou amante desse delírio,

Sinto-me pequenino diante do imenso mar.

Anda onda arrebenta meus arrecifes,

Onda,anda, onde andas onda?

Por que não vens me buscar?

Ouço a velha canção do mar,

Anda...vens chegando, sinto.

No cair da tarde,

Pelo canto do olhar vejo

O mar voltar ao homem...

Com a boca cheia de peixes.

Ele não desiste.

Observacão:

Quis aqui eternizar o Poeta imortal Manuel Bandeira.