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O BOÊMIO

De bar em bar, de garrafa em garrafa, de copo em copo, lá vai o dono da noite.

Boêmio poeta, boêmio profeta, lá vai ele fazendo das calçados a sua estrada sem destino.

Lá vai o boêmio animar a noite, conversar com o tempo, contar segredos para o vento e amar todas as mulheres.

Lá vai o boêmio na luta pelas causas noturnas, quando todas as verdades são suas.

Lá vai o boêmio curvado, cansado, suado, mas sempre animado para mais uma noite vencer.

Lá vai o boêmio criando poesias, vivendo fantasias, vestindo-se de alegorias para saborear os prazeres carnais.

De bar em bar, de garrafa em garrafa, de copo em copo, lá vai o boêmio pensando ser imortal.

A noite – amante fiel - caminha junto com ele, tecendo momentos de eterno encantamento, fazendo-lhe juramentos celestiais.

De bar em bar, de garrafa em garrafa, de copo em copo, o boêmio bebe os seus desencantos, os seus medos, os seus desamores sabendo que, um dia,se transformarão numa bela poesia.

Lá vai o boêmio,  dono das calçadas, varando todas as madrugadas, criando motivos para beber.

Fantasma noturno, transformado em criança na esperança de não deixar a sua criança interna crescer.

Quando o dia amanhece, num passe de mágica, o boêmio desaparece, para na noite seguinte, num sopro divino,  novamente acordar e continuar a beber,  de bar em bar, de garrafa em garrafa,de copo em copo.



Rosa Berg
Enviado por Rosa Berg em 27/02/2006
Reeditado em 13/01/2010
Código do texto: T116860


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Sobre a autora
Rosa Berg
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil
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Rosa Berg