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Fragmentos da dor existente

I

Comecei tarde a renovação deste meu espírito, quando um fantasma de olhos castanhos nos cerca fica difícil fazer a escolha certa. Eu uso a palavra talvez diariamente, tamanha é minha incerteza diante dos caminhos. Gosto de lembrar de você, de como eu mexia nos seus cabelos, e sinto uma satisfação estranha em não conseguir esquecer. Mais ainda em deixar as feridas abrirem uma a uma sem dó. Talvez ainda não tenha amado de verdade à mim mesmo.

II

Eu tinha muitas dúvidas se conseguiria superar essa condição, mas seguro bem a barra. Ando com o rosto entristecido, é verdade, mas o que esperavam de mim? Lutei por uma felicidade inventada que nunca se concretizou. Quem pode me culpar por isso? De fato eu cansei mesmo foi de segurar tua mão e achar que o futuro pudesse ser diferente do presente. Escolhi a solidão e ela me escolheu. Eu não à mando partir e ela decide ficar.

III

Sei que lutei muito e por muito tempo, e construí pedra a pedra esta face solitária. E agora precisei me livrar urgente de você, para assim permanecer apenas a ilusão de que você diria que gosta um pouco de mim.

IV

Acordo todos os dias por imposição do destino. Amar um outro alguém seria divertido, mas não encontro ar suficiente pra sequer arriscar. Prefiro o canto do quarto, atrás da porta do banheiro, os cômodos vulgares que não me assustem nem me impeçam de sofrer.
Hudson Pereira
Enviado por Hudson Pereira em 13/10/2008
Código do texto: T1226646

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Sobre o autor
Hudson Pereira
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 35 anos
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Hudson Pereira