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INQUIETUDE
NALDOVELHO

Deixe que eu fique quieto num canto, é melhor assim! Já custei tanto a encontrar um lugar, um bem confortável, ao meu jeito... Não dá mais pra ficar rompendo fronteiras, não dá mais pra ficar fazendo besteiras, andando de bar em bar, buscando um antídoto, um remédio, tentando saciar minha sede.

Quanta bebedeira! Quantas paixões desconexas, romances sem eira nem beira, acordar de ressaca num quarto de um motel vagabundo e barato e nem lembrar o nome da moça que, apesar de sorridente, assaltou a minha carteira e nem me trouxe prazer.

Agora, o jeito é ficar bem quietinho, não posso aborrecer meu fígado. O pâncreas então, nem pensar! Vai que eles resolvem se rebelar e armem um tremendo barraco e tudo acabe em conflito, me façam ficar amarelado, com muita dor e enjoado... Não dá mais para arriscar!

Ainda me restam os cigarros, enquanto os pulmões não reclamam e resolvem botar pra quebrar. Greve geral no pedaço! Até por que o coração já andou se rebelando, teve até pauta de reivindicações. Prometi analisar com cuidado e qualquer dia destes, me pronunciar. Só não sei o quanto eles estão dispostos a esperar. E tudo isto por causa de uma tal inquietude, coisa que eu não sei explicar!

Melhor deixar como está! Alguns CDs, alguns livros, muito silêncio no quarto, botar em prática um sonho, escrever poemas, canções, quem sabe uns contos eróticos, coisas que eu nunca vivi, mas fico bestando a imaginar!

Melhor mesmo é virar escritor, com sorte eu encontro o meu talento. Quem sabe ele não é o filho querido desta inquietude que eu falo? Quem sabe não está aí o remédio que vai curar esta dor esquisita que eu nem sei se tem nome, mas que teima em me assombrar?
NALDOVELHO
Enviado por NALDOVELHO em 26/05/2009
Código do texto: T1616295

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Sobre o autor
NALDOVELHO
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 70 anos
461 textos (22892 leituras)
10 áudios (1192 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 01/10/20 05:19)
NALDOVELHO