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UM ANJO CUJO NOME É SEGREDO
NALDOVELHO

Tem dias que eu acordo assim meio amuado, pensativo, acabrunhado, achando que a minha poesia anda a se perder por entre desvios, a trilhar atalhos errados na ilusão de que ali adiante exista um rio que vai matar-me sede de falar sobre as coisas que eu penso, e sobre outras que tanto quero, e que por ser um poeta eu sonho, e que por conta de tantas amarras eu não consigo viver.

Tem dias que as palavras brotam vazias, ocas de significados e aí surgem lá das funduras, uma agonia e gastura danadas, de achar que não mais vale a pena ficar debruçado em versos, a tentar desencravar meus cacos e a tirar das entranhas os espinhos, pois quem sabe a dor que me habita pudesse abrir um caminho e mostrar pra toda essa gente que a poesia apesar de um dom, é também uma maldição.

Nesses dias eu fico calado, observando a palavra estranha, expelida impensada e afiada, em diálogos vazios, e entrecortados, que circulam com força tamanha sem a preocupação de buscar-se a verdade, o entendimento e a compreensão. E cada vez mais então eu me calo, fico tristonho e arredio, fazendo força para ignorar meus versos, pois certamente o que eu penso e verso, nada vai acrescentar.

Só que de repente me surge um anjo, cujo nome eu mantenho em segredo e mostra que esse dia é o contraste pelo qual o verbo transita quando em busca da razão se conflita e faz aguçar a nossa percepção. Ainda bem que viestes em meus sonhos, a mostrar que a sensibilidade existe, nos braços da mulher amada, no colo quente da amante e no beijo molhado do orgasmo, pois o amor que hoje eu tenho é fonte preciosa e tamanha, a provar que poesia sagrada e que dela não podemos abrir mão.
NALDOVELHO
Enviado por NALDOVELHO em 07/06/2009
Código do texto: T1636931

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Sobre o autor
NALDOVELHO
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 70 anos
461 textos (22885 leituras)
10 áudios (1192 audições)
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