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Pequenas desobediências


Entrar numa pizzaria lotada, sentar-se sozinho em uma mesa, comer 3 pedaços de pizza com coca-cola light, depois fumar um cigarro na varanda, e sem dar a mínima para quem olha, ficar um tempo ali sem fazer nada, em plena noite de sexta-feira...


Correr. Correr na Anchieta. Descer em alta velocidade mesmo, como se a velocidade tirasse todos os pensamentos, lembranças, amores, desamores, tristezas e alegrias. Correr, pelo prazer de correr. Ultrapassar limites...

Mudar de casa em pleno sábado. Mudar de cidade. Mudar de vida. Cama nova, vida nova, casa nova. Tudo novo. Inclusive os pensamentos.

Tomar whisky. Ah, sim, tomar um bom whisky, com dois cubos de gelo.

Saber, sentir que algo dentro de você mudou. Mudou numa fria noite de sexta-feira numa pizzaria qualquer, de um bairro qualquer, de uma cidade qualquer, olhando pro cara que manobra o seu carro porque o estacionamento está cheio.

Prometer a si mesmo, e ter certeza que irá cumprir sua promessa, que os próximos 10 anos de sua vida serão bons, mas bons de verdade. Que você fará tudo para que sejam os melhores.

Aproveitar os presentes que a vida lhe dá. Lutar por eles. Lutar bravamente por eles, e só desistir quando descobrir que não há mais nada a fazer. Então, levantar a cabeça e continuar andando, mesmo que seus pés estejam machucados.

Acordar na próxima segunda-feira, sabendo que o mundo está a sua frente. Sabendo que você não está velho porque ultrapassou a barreira dos 40, que você não será infeliz mesmo estando sozinho, que você é inteligente mesmo dando alguns escorregões de vez em quando, e que acima de tudo, você precisa amar se a si mesmo antes de amar outra pessoa.

Ter certeza que tudo vale a pena – erros e acertos.

Saber que você tem sua casa, seu carro, seu trabalho, sua vida, e que você lutou arduamente por isso, e que você não esmorece na primeira barreira.

Saber que quando você ama, ama pra valer e que vai até as últimas conseqüências por este amor. E que se cai, levanta-se e continua andando, aprendendo quem sabe, não amar tanto da próxima vez. Mas ter certeza que haverá uma próxima vez, que para isto basta olhar para o sol, ter coragem de enfrentar a vida e as dificuldades. E que amar é bom, mesmo que traga sofrimento.

Largar todo e qualquer complexo de avestruz, e, se por acaso alguma coisa não dá certo, faça com que dê certo.

Hoje, eu comi 3 pedaços de pizza em uma pizzaria na cidade, tomei uma coca-cola light, fumei um cigarro na varanda da pizzaria, provavelmente o último, corri na Anchieta, e não será a última vez, passei no shopping, comprei um presente de casamento para amanhã, comprei um vestido, sorri para o manobrista, e amanhã, irei pra outra cidade, pra outra casa... E serei – e me farei Feliz!
Fátima Batista
Enviado por Fátima Batista em 02/06/2006
Reeditado em 01/12/2007
Código do texto: T168318
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Fátima Batista
Santo André - São Paulo - Brasil, 55 anos
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Fátima Batista

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