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tantos anos e...

tantos anos e depois,na mágoa do tempo, florescem penas farpeadas pelo amor e pelo desdém.

dos caminhos fantasiosos fica a poeira da memória que branqueia o tempo, escurecendo lembranças.

como efeméride perpetuada na pedra corroída,a vida passa e acontece sobrevivendo à apatia, ao desfile militarizado de multidões uniformizadas.

dos meninos presentes, fermentados pela inovação, não restam mais do que homens cozidos numa pressão qualquer que os rotula com termo de validade.

à volta, no ensurdecedor metralhado, balas de ritmo ferem a rotina enquanto o susto esvoaça até ao beiral do silêncio.

a cidade, o mundo transforma-se e agiganta-se em cada patamar de acesso ao piso das alturas, como se crescer não tivesse limite.

lá longe, onde os media alcançam, os factos são como atleta  vencendo a distancia duma resistência qualquer.

quando a noite derrota o dia e este é vencido pelo calendário, não há tempo que se guarde, nem história que se deturpe, na conveniência redactora.

é como percurso perseguido, como reler factos que se guardam em páginas abandonadas, esquecidas numa encadernação qualquer.

os limites estão subordinados e a liberdade vigiada no "chip" que guarda e uniformiza a sociedade identificada.

tantos anos e depois, somos uma máquina qualquer, que o homem idealiza e o progresso escraviza!
João Videira Santos
Enviado por João Videira Santos em 28/06/2006
Reeditado em 28/06/2006
Código do texto: T183709


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Sobre o autor
João Videira Santos
Lisboa - Lisboa - Portugal
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João Videira Santos