VERRUGAS DO DESERTO

Crua artéria surreal

Sonhar inconcebível

Jóia rara das emoções

Carne ulcerada do infortúnio.

O deserto perene

Oásis de libidinosa luz

Olhos obtusos

Vorazes pela inegável verdade

Esculpida nos diários de guerra

AL-JAZIRAS virtuais.

Agoniza a global aldeia

Onde a força impera

Castrando a liberdade

Amordaçando a fé

Do ódio camuflado de paz.

A labirintosa pátria é abrigo

Guêdo dos vandalos

Órfanato cotidiano

Onde corações mutilados

Crêem na felicidade

Suplicando ao Salvador uma nova balada.

Por onde andará JONN?

O rádio toca outra canção

O Salvador se foi

Sua fé é morta

Só resta desilusão.

A Besta governa os ares

Escravisa a terra

Domina mares

Onda após onda

Bomba após bomba

Semeia crucifixos

Ergue uma Jericó colossal

onde a trombeta é surda

E a guitarra se cala.

Antonio Virgilio Andrade
Enviado por Antonio Virgilio Andrade em 07/08/2006
Reeditado em 23/08/2006
Código do texto: T211291