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Omissão

                   

Quando foi que decretaram a lei onde se diz que o ódio deve ser o senhor?
Tenho a impressão que nesse dia eu estava dormindo.
Quando foi decretada a lei que dizia ser a amizade banida do convívio humano?
Creio ter sido nesse dia que tirei férias.
Como puderam impetrar a lei em que o homem seria o algoz do próprio homem?
Será que nesse dia estava Deus dormindo?
Como é que a mentira instalou-se tão sorrateiramente no coração do ser humano?
Porque a verdade não se manifestou?
Até quando a injustiça vai prevalecer ante a crueldade?
Ouço gemidos tão altos que são gritos desesperados dos suplicantes esquecidos.
Vejo a fome matar milhões, vejo a sede imolar milhares, vejo a ignorância condenar centenas á morte.
E sinto-me impotente ante o descaso, a mesquinhez, a tirania e a vilania.
Sou só um, os poderosos são muitos, e aqueles que se omitem estão em número ainda maior. (Posso ser beija flor, ante o incendio, ah sim, eu posso.)
Porque se assim não o fosse, algo seria feito, algo seria ao menos tentado, para mudar esse estado de coisas que coisifica o ser humano.
Quando será ouvida a voz do caído, do escravizado, do martirizado, do esquecido?
Até quando a lei subverterá a razão?
Será que Deus vai continuar dormindo? E quando é que nós vamos acordar, voltar de férias, fazer alguma coisa para apagar do mundo a maldade que existe por nossa própria omissão?
             
Liane Furiatti
Enviado por Liane Furiatti em 08/08/2006
Reeditado em 20/01/2009
Código do texto: T212226
Classificação de conteúdo: seguro


Sobre a autora
Liane Furiatti
Curitiba - Paraná - Brasil
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Liane Furiatti