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SUSPEITOSAMENTE CALMO

“Hay días para quedarse a mirar,
hay días en que hay poco para ver,
hay días sospechosamente Light,..”
(Mi gin tonic, Andrés Calamaro)



                    Há dias que a vida, de um modo suspeito, sem mais nem porquê, na base do susto, se põe em suspenso, engasga e fica assim, meio tonta, anestesiada, meio bêbada, sem saber quem é. Neste momento, ficam suspensas todas as convenções, regras e protocolos, seu rumo é cortado e por alguns momentos nada "tem que ser", nada é decididamente certo, praticamente óbvio ou absolutamente inevitável. As escolhas aparecem em letras garrafais, as alternativas brotam, dúvidas se multiplicam e, parados no meio do mundo, assim em slow motion, nos damos a permissão para sentir, querer, desejar, admitir o que em nós não está enquadrado, é meio inadequado ou não atende as expectativas, ou até nem ocorre a ninguém que possa existir. Neste momento somos nós e todas as chances descartadas, jogadas fora, descoloridas, abortadas, sabotadas, renunciadas, desperdiçadas. Especialmente as escolhas que fazemos de tudo para não lembrar, que fingimos que não existem e que naquele instante - só naquele instante - nos dão a certeza insuspeita de que nos saciaram a fome de viver.


www.deboradenadai.prosaeverso.net


Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 13/07/2010
Código do texto: T2374959

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 56 anos
722 textos (165718 leituras)
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Débora Denadai