Parte 3
A confusão lá fora estava daquele jeito. E já que queriam minha cabeça, decidi colocar mais lenha na fogueira. Fui ate a gaveta e peguei um poema pequeno e inexpressivo pelo pescoço e levei ate a janela para que todos vissem que eu não estava brincado. E realmente não estava. Jamais passou pela minha cabeça ser poeta. Foi tudo idéia daqueles poemas que escrevi num momento de fraqueza.
A reação das pessoas na rua foi imediata, todos fizeram um coro de OHHHH MEU DEUS! Os Policiais engatilharam suas armas e apontaram na minha direção. O poema preso pelo pescoço ficou pálido feito uma folha branca de papel. A intenção não era aquela. Fiz por que tinha que fazer alguma coisa para conter aquela gente toda. Foi uma medida drástica, admito, mas necessária. Agora as atenções estavam todas concentradas na minha direção. Então fiz a primeira exigência: Quero que encontrem a mulher dos meus sonhos.
O negociador disse pelo telefone que faria tudo para encontrar a mulher dos meus sonhos, mas que eu deveria libertar o poema para demonstrar que tinha boa vontade. Concordei e joguei pela janela o poema que tinha sob meu jugo. Vi ele se estatelando no chão e os policiais correndo para resgata-lo. Na hora eu não senti remorso do que fiz . Ele foi um dos primeiros esboços de poema que tentei fazer. Não era tão importante assim. Mas graças a este subterfúgio, consegui ganhar algum tempo para refletir sobre como sairia daquela situação inusitada. 
Eu queria saber como é que eles iriam descobrir quem era a tal mulher dos meus sonhos. Eles nem perguntaram quem ela era e nem onde morava. Eu mesmo não sei onde ela mora. Essa eu quero ver. 
Mas se por ventura, sorte ou esperteza, ela for encontrada, o que vou disser a ela. O que ela vai pensar de mim. Será que ela ainda me ama, ou já sou página virada na sua vida. Agora estava feita a confusão, era só esperar o tempo passar.
Adão Jorge dos Santos
Enviado por Adão Jorge dos Santos em 29/09/2006
Reeditado em 29/09/2006
Código do texto: T251976