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(Imagem de José Gama, www.thousandimages.com)

Do fundo do baú, encontrado num papel de sabe Deus quando, numa data que só Ele também sabe...

MISTÉRIOS E TULIPAS

          Te chamo “meu amor” no silêncio que tropeça entre minhas frases que se disfarçam de cotidiano pra que não te refugies rapidamente no silêncio tumular de teus temores. 

          De novo te digo “meu amor” a cada vez que minhas mãos cobrem-se de uma mudez inevitável, já que longe das tuas. Sei que não podes ouvir-me, mas insisto em dizer-te “amor” carregando dentro do peito um sorriso indecifrável sempre que, numa rápida distra(i)cão que não previas, adivinho-te sorrindo um sorriso desarmado, que, num pequeno lapso de tempo, te põe indiferente às tuas teorias e aos medos que antecipas a um futuro que sequer sabes se terá todas as pedras que prevês. 

          Não sabes, sequer imaginas, mas eis que te digo “meu amor” quando leio como num enorme outdoor, um canto de olhar terno que conta tanto mais de ti do que supunhas exibir, mas que ainda assim aparece, porque te esquecestes que os cúmplices de um dia acabam sempre por partilhar, de vez que esta especial cumplicidade que conhecemos ambos não tem explicação e tampouco preço. Não se encontra à venda, não se dá como prêmio. Existe e é tudo. 

          Não me ouves agora, mas te digo “amor” e te chamo “meu amor”, deitando-me ao teu lado, ainda que estejas muito longe de mim, quase um vapor d’água, quase uma ameaça de brisa,quase uma tulipa em pétalas abrindo-se lentamente, desfolhando mistérios, lasciva e libidinosa, esperando apenas o toque da tua boca, onde, sabes perfeitamente, te fazes "meu e amor".

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 02/12/2006
Código do texto: T307737

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 55 anos
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Débora Denadai

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