Vai saber... (Dueto com Fernando Girão).

Quem sabe, sabe.

E quem não sabe pensa que sabe

o que o outro queria saber

e descobriu que nada sabe.

O saber é um grande campo

em que os que mergulham em alguma poça d'água

saem com os cabelos molhados e os lábios secos,

porque gastaram a última gota de suas salivas.

E ENTÃO AO “FICAREM” SECOS,

MORREM DESIDRATADOS NO DESERTO DAS PAIXÕES

E se os desertos escondem seus oásis

deve ser para que as paixões não morram em vão.

PELO SIMPLES ACTO DE EXISTIR,

UMA PAIXÃO VALE POR SI MESMA,

SEM NECESSIDADE DE EXPLICAÇÃO...

Não se quer a explicação

nem mesmo a noção do que ela cause.

O que vale é o salto,

quando cala o coração para ouvir

o vento acariciando as areias

que sendo as mesmas não mais são.

MESMO NAS TUAS PALAVRAS MAIS ABSTRACTAS,

CONSIGO SENTIR O PERFUME DAS ESPECIARIAS

QUE FAZEM PARTE DA TUA ALMA

A alma, dizem ser um espelho.

Se o é, que possamos refletir o bem que cabe

em cada ínfimo espaço de nossos sonhos.

UM SONHO, NUNCA É INFIMO,

PELO CONTRÁRIO,

É ENORME EM TODOS OS CONCEITOS,

POR ISSO A HUMANIDADE SONHA TÃO POUCO,

POR ISSO O AMOR É UM SER QUE VIVE ESCONDIDO

NAS CAVERNAS DOS NOSSOS SOTÃOS

Quando disse ínfimo quis expressar que:

o estado em que nos encontramos

deveria ser 'refletido',

mesmo na menor parte de sonho

que possui cada ser humano.

O sonho é do tamanho do sonhador.

Maior que ele é a realidade sonhada, realizada.

COMO ASSIM TAMBÉM É O AMOR,

DO TAMANHO DE QUEM AMA...

Sendo assim, que as tempestades de areia,

não ofusquem os olhos dos que crêem

no que podem alimentar.

MAS SERÁ QUE SE PODE CHAMAR ALIMENTO,

AOS RESTOS QUE DESCODIFICAMOS

NOS QUARTOS FECHADOS

DO NOSSO PENSAMENTO ??

Talvez o pensamento esteja

no local em que o espaço não importe,

mas vale a certeza de entre mil incertezas

saber-se verdadeiro.

O que seria do todo sem os restos?

VEJO QUE SÁBIAS SÃO AS PALAVRAS

QUE PROFERES SEM TREMER,

SINTO QUE NÃO SABES O QUE SABES,

E AO MESMO TEMPO É IMENSO O TEU SABER.

Se soubesse eu me findaria, não espero isso.

Tenho no peito a imensidão que me acolhe.

E nada sabendo hei de encontrar quem sabe.

Ser aquele que ouve, é ter na língua a profecia de quem a dita

e no entanto silencia para que o outono seja grande.

A Poesia vive no que exalamos, o saber é filho dela.

Eliane Alcântara.

FERNANDO GIRÃO.

Eliane Alcântara
Enviado por Eliane Alcântara em 03/07/2005
Reeditado em 03/07/2005
Código do texto: T30793