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(como a pequena poesia acabou virando uma prosa, fica como prosa poética mesmo...)


OS MEDOS QUE ME FORTALECEM

Medos:
meus piores inimigos.
É curioso,
não os alimento,
nem os castigo.
Perto de mim,
guardados cá dentro,
velhos conhecidos,
é como os enfrento.
Viram amigos. 



               Tenho dentro de mim medos enormes, que, pode parecer estranho, os alimento. Vivemos assim, numa espécie de comum(unidade) e numa espécie de trégua não declarada. Vez por outra, um deles decide criar filhotes, pequenos monstrinhos que me assombram os dias e (principalmente) as noites. Não os deixo ir embora ainda que queiram, tampouco dou-lhes ordem de bater em retirada. Ao contrário: dou-lhes casa, comida e roupa lavada. São meus meninos. 

               Pode parecer esquisito, coisa de maluco, mas é assim que eu os venço: de perto, dentro da minha base (e não da base inimiga), é o lugar onde os enfrento. Cara a cara, corpo a corpo, um a um, passo a passo. Eles ficam lá, quietinhos, à espera do melhor momento. E quando aparecem, pensando surpreender-me, é onde se enganam. São meus velhos conhecidos, e, portanto, mais fáceis de encarar. 

               Meus medos são imensos, com fomes pantagruélicas, com uma sanha devastadora e com um enorme potencial destruidor. Alimentam-se das minhas dores, das porradas que a vida me dá, de dias sem cores e das minhas eventuais quedas. Só que moram na minha casa. E dentro dela, mando eu. Um inimigo sábio é sempre um inimigo mais perigoso. Quando os monstros põem a cara pra fora, quanto mais barulho fazem é quando fico mais quieta. Eles nunca imaginam como reagirei. Hora da porrada. Todo mundo pra dentro. Agora! 
                         
               Meus medos: meus piores inimigos e meus melhores amigos. Alimentá-los e abrigá-los: a melhor maneira de enfrentá-los e de conhecê-los (e conhecer a mim). Quanto mais robustos meus medos, mais forte eles me tornam.

                Xeque-mate, meninos: vocês perderam. Outra vez.


Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 02/03/2007
Código do texto: T398533

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 56 anos
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Débora Denadai