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ESPERO-TE PARA JANTAR.

          Fui ao cabeleireiro, fiz cabelo, barba, unhas, coloquei a minha camisa mais nova, e mais bonita, a gravata italiana mais charmosa, o sapato de cromo imponente, e o meu terno de casimira inglesa mais alinhado (sem falar na cueca sensual), me perfumei, olhava-me constantemente no espelho, passei na floricultura, comprei as mais belas flores, na joalheria comprei uma linda pulseira, sim, eu queria que você tivesse uma lembrança minha do primeiro encontro, olhava constantemente no relógio, não poderia me atrasar, cheguei com antecedência no restaurante onde eu havia reservado a melhor mesa (mais próximo do toalete feminino para ficar mais confortável para você), estava tudo como eu havia solicitado, os talheres de prata, os pratos de porcelana inglesa, guardanapos de cambraia italiana com nossos nomes bordados (mandei fazer até dois coraçõeszinhos vermelhos em alto relevo, cafona? Não importa), as velas estavam perfeitas, escolhi o vinho, tratei com o pianista, violinista e baixista sobre as músicas românticas, as escolhi a dedo, solicitei ao maitre que não deixasse um garçom perto demais, nem longe demais, numa distância suficiente para sermos bem atendidos, mas não tão próximo ao ponto de tirar nossa privacidade, não queria que ele ficasse ouvindo nossas juras de amor. Levei junto comigo a saudade constante, o carinho infindável, o respeito pela sua alma, a minha ousadia desejosa pelo seu corpo, levei a solidão que iria partir, levei o entusiasmo, a euforia, a alegria e as minhas companheiras inseparáveis, a verdade, e a sinceridade, também levei meus convidados mais importantes e especiais, não tão importantes como você, porque sem você eles não existiriam, a paixão, e o amor, estes estavam exultantes, a paixão não cabia em si, e o amor transbordava em sentimentos, e inundava todo o ambiente preparado para você, aliás, o amor inundava todos os ambientes por onde eu passava. Sentei-me apreensivo, esperando, os segundos não passavam, eu fazia mentalmente alguns poemas para declamar no seu ouvido, vibrava lembrando das palavras que trocávamos por telefone, e-mails, fazia mil planos, olhava tudo constantemente para ver se estava perfeito para a minha princesa, esperava, e esperava. Os minutos passavam, e você não chegava, na medida em que as horas corriam a esperança que estava sentada ao meu lado começou a se afastar, ela estava querendo ir embora, eu, porém, a segurava, a solidão me olhou e disse que achava que não iria mais partir, o entusiasmo, e a euforia entraram em transe, numa espécie de depressão de agonia, a verdade queria me fazer enxergar a realidade, eu me recusava, a sinceridade não dizia nada, ela queria falar só contigo, assim eu fiquei esperando, abandonado pelo entusiasmo, pela alegria e euforia. Você não veio, e eu continuo sentado no mesmo lugar, na mesa que reservei para nós dois, acompanhado apenas pela paixão, e pelo amor, esperando que você venha, que traga junto contigo a minha esperança, junto com ela virão novamente o entusiasmo, a alegria, e a vontade de viver para ter você.
Michel H Baruki
Enviado por Michel H Baruki em 03/03/2007
Reeditado em 24/06/2007
Código do texto: T399839


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Sobre o autor
Michel H Baruki
Blumenau - Santa Catarina - Brasil
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