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Prosa Poética - PROBLEMA

Luvas molhadas de chuvas de outros carnavais...
Canibais refestelam-se com carne jovem.
— "Até hoje eu não sei qual é o certo – Pobrema ou poblema?"
Pergunta uma mulher a outra mulher,
Na fila do ônibus, na volta do trabalho.
— "Você não sabe?" – Indaga a outra.
"Pobrema é coisa que envolve dinheiro.
Pobre...
Poblema – é quando não se refere a dinheiro,
Mas a outros assuntos, como ao coração..."
A outra aprendeu.
Errado, mas aprendeu.
Erros também se ensinam...
E aprendem-se!...
Ora pelo exemplo,
Ora pelo prazer que é a vocação de ensinar...
Ou pela vocação que é o prazer de aprender!...
Vacinam-se crianças contra a poliomielite,
Mas contra o desamor, não
Feridas vazias de cura
E a formosura das faces saradas!
Uma das crianças queria sorvete derretido, deitado...
A outra queria sorvete em pé,
Bem firme e amontanhado!
O meu, de flocos, eu quis com sucrilhos...
Irritam-me as picadas de mosquitos.
Eriçam-me os convites
Na capa de cada dia!
Sob o sol,
Ouço o solfejo dos ventos que vêm do Sul
E me trazem poemas de Maysa, de Raphaela Müller, de Núria,
Vaine Darde, Lucia Constantino, Eliane Couto Triska...
Se o vento é do Nordeste,
Chegam-me versos de Arethuza, de Akeza, de Helena Luna...
Mas se vêm ventos do Norte,
São de Ana Joaquina, Kolemar, Betha Mendonça
Benny Franklin, Cao Souza, Marúcia Herculano...
Do Sudeste, os ventos trazem a poesia que vem de
Elane Tomich, Elisângela Martins, Jiçara Martins
Sigmar Montemor, Dionísio Teles, José Luís de Freitas,
Hernany Luiz Tafuri Ferreira Júnior,
Mario Roberto Guimarães...
Se vêm do Centro, trazem poesia de
Ene Mathias, Juliana Valis...
Que não deixam Manoel de Barros roubar a cena!
De Portugal, versos ultramarinos de Malubarni, Henricabílio, Jesus Ramos...
Específicamente em Minas, Adélia Prado me ensina
Que a poesia
Basta ser dela para ser bela!
Ou sou eu, junto com muita gente boa,
Que ensino a Adélia Prado
Que ela é magnífica?!...
Daqui a pouco
Vem Vestibular
E provas para Concursos Públicos
Com suas pegadinhas...
BÓLIDE – esta palavra é masculina ou feminina?
ABORÍGINE ou ABORÍGENE?
E por aí vai!...
Pulei corda lá na infância.
Ladrões de galinhas pulam nos terreiros e nos poleiros.
Agora, eu pulo na água, que protege as articulações.
Dinheiro não é agasalho,
Mas é meritório que os detentores do dinheiro
Favoreçam os que sentem frio...
Afilhada do sol,
No Sul da Bahia,
Amanda, garota de fulva cabeleira,
Entra na fila da escola para aprender
A boniteza de contar, ler e escrever!...
Furei o dedo na agulha.
Não furei a fila.
Vi blitz no trânsito da avenida
E, desta vez, não fui escolhida...
É difícil dificultar a vida dos outros,
Mas existem especialistas nisto!
Ser ladrão também é muito difícil.
Exige habilidades especiais, além de
Destreza e ousadia.
Ser espião é mais difícil ainda!
Exige desfaçatez...
Não dou para uma coisa nem outra!
Fabrico versos.
Basta!
Quer dizer, sei que não basta.
Dizem que a literatura eterniza...
Eterniza nada!
O que eterniza é a Bondade!
A maldade inferniza.
A quem faz o Bem,
Deus parabeniza...
Euna Britto de Oliveira
Enviado por Euna Britto de Oliveira em 10/03/2007
Código do texto: T407508
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Sobre a autora
Euna Britto de Oliveira
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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12 e-livros (693 leituras)
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Euna Britto de Oliveira