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Grafia do meu eu.


Essa coisa de não sossegar e ter por encantamento todo o mundo é o que me faz grande quando me sinto menor.
Esses espelhos, alguns partidos outros inteiros, é que me ensinam quantas máscaras tem o homem e quantas verdades estão escondidas porque um sabe o outro inexato perante a simplicidade.
Essa dor de renascer é que me dá força para o grito e arranja as malas para a partida quando uma das endiabradas meninas que brincam comigo quer ficar. O susto é gigante, a alegria do tamanho de uma semente e o segredo uma cápsula do método realizar.
Então eu me questiono se devo comprar um par de botas novas, passar a usar calcinhas ou se é chegado o momento de mudar o corte do cabelo ou a cena propícia para esquecer o passado e lutar pela sobrevivência.
Rasgo alguns amores com os dentes afiados. O gosto não difere da dose de paixão descartada a cada um e amanheço noutro tempo a crer tudo um simples ponto que devo usar para indicar continuação. Mas não é fácil, o indefinido prevalece e sou a que mais se parece comigo na fragilidade de minhas anotações verbos e ações.
O tumulto solitário cria forma de ventania e arranco-me de onde estou para voar a que objetivamente bebe um gole da escrita de quem não morre e jaz na tormenta da palavra purgatória. Ah, se há o perdão para quem não o quer deve haver lirismo para quem sobressai do próprio sentimento, escava e pinta com paciência as normas que sabe, são mutáveis.
E de repente, esse estrangeirismo de quem se descobre mapa de mil regiões assola-me a alma e navego um pedaço de lua - outro mar. Olho calmamente cada país de minha origem e não sou de cá ou de lá. Originária de minhas dúvidas eu sou atlas de quantas e tantas direções existam no suicídio de minhas noites insones pelo ralo de minhas certezas não certas do que é a vida - esse telhado de nuvens.
E choro. Escondo a face. Mostro a lágrima. Tiro a sentença que não conheço como se fosse um jogo e morro. Acerta-me o nocaute desespero. O tinteiro cai e sou gota - tão pequena, tão inteira, tão inexplicável.
Lá no fundo uma voz insiste. Parece brincadeira de peraltas - essas linhas.
De um jeito de quem acorda das profundezas, olho, doída de respirar. Sou eu... e eu não sei quem sou. Levanto o corpo, elimino as botas. Sou tão pequena que posso sonhar minha imensidão - penso.
Eliane Alcântara
Enviado por Eliane Alcântara em 07/04/2007
Código do texto: T440789

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Sobre a autora
Eliane Alcântara
Lajinha - Minas Gerais - Brasil, 47 anos
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Eliane Alcântara