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TU NÃO O SABES ...


               Tu não o sabes, mas estou completa e perdidamente enroscada, emaranhada na rede dos fios de delícias, carinhos, desejos e doçuras que segues tecendo em torno de mim. Não sei mais onde é o começo da meada desta linha tênue e a um tempo, inquebrantável e tampouco encontro, sequer busco, onde fica a ponta que indica a porta de saída. Nada temo e por isso deixo estar.

               Tu não o sabes, mas tua linha vai enrolando a ti e a mim numa espécie de loucura lúcida e procurada por tantos, que buscando tanto, encontram nada. E tu não sabes, mas tu e eu a temos desde sempre em nossa rede, com fios de seda tecida e com tantos nós de nós dois apertada. Segue esta loucura num crescendo que até pode sujeitar minha vida torta. A mim, que dizer? Pouco me importa. Ainda quero estes nós e os quero a cada dia mais cegos e apertados. De olhos abertos, quando os fecho, ainda enxergo mais que tua cegueira ensimesmada. 

               Tu não o sabes, mas enquanto me amarras e me costuras nas malhas da tua pele e dos teus pêlos; enquanto segues, ao mesmo tempo, de mim fugindo e me buscando, mais te manténs amarrado, tanto mais estás atado na trama que tu mesmo criastes e muito mais te enfias em meu novelo. Não importa que doa que te ausentes com tanto medo e desvelo: recebo tua agulha, enfio-te e me enrosco em ti enquanto te perdes, feito agulha num palheiro.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 10/04/2007
Código do texto: T444021

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 57 anos
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Débora Denadai