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LUTO POÉTICO

          Já faz muito que não escrevo e concluí que é porque não quero a dor ganhe espaços e, por certo, asas que a permitirão passear por todo lado dentro de mim. Detesto pensar que posso estar garantindo permanência ao sofrimento, às dúvidas, aos medos, às angústias, às incertezas. Será melhor para todos que permaneçam pequenos, silenciosos e imóveis, inertes, insolitamente insuspeitos. Que ninguém se dê conta que existem. Não lhes regalarei merecimento de coisa alguma. Nenhuma linha sobre o branco dia claro de uma página que não sintam sobre si o calor de um olhar descuidado que os perceba entre palavras que não merecem. Não lhes darei outra casa, outro abrigo em outro peito além deste que me pertence ( ou a qual pertenço, não sei...)

          Ordeno a meus dedos: Silêncio! Que toda poesia fique imóvel, congelada! Está proibida a partir de agora qualquer ameaça de tradução daquilo que me vai desmoronando secretamente as profundeza, (des) construindo enormes fendas invisíveis à superfície.
Silêncio. Tenho uma poesia morta dentro de mim.

www.deboradenadai.prosaeverso.net
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 06/11/2014
Código do texto: T5025613
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 56 anos
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Débora Denadai