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O PROBLEMA DA LIBERDADE

          Então depois de anos e anos fustigada pelos arames das cercas em volta, você descobre que ama a liberdade. Depois de anos descobrindo que a que você era não era exatamente você e que abaixar-se demais, bem...todo mundo sabe qual o resultado. Então você descobre que liberdade é algo inegociável, indispensável e que a gente precisa respirar senão morre, porque você viveu tanto sem ela que sabe agora o que é, está convicta de que não existe vida sem liberdade. E então, você abre os olhos.
 
          E é aí que a coisa começa a se complicar. Complica porque você não consegue entender como alguém está com a liberdade diante de seu próprio nariz e não a reconhece. E você,que já viveu entre muros, e agora paira levemente, com todas as suas asas, sabe que só se pode ser feliz, ou pelo menos aumentar suas chances para isso em liberdade. Mesmo que seja pra escolher o que para os outros é um erro. Pode ser, mas você escolheu em liberdade. E é quando você descobre que a liberdade pode até ser um mal. Mas, necessário e inegociável.

          E você começa uma espécie de workshop do assunto: você quer abrir o caminho pro outro ver, Você mostra, você explica, você aponta, você quase quebra a cabeça do outro pra enfiar a liberdade lá dentro ou goela abaixo. "Em alguma hora, ele aprende", você pensa. Só que por vezes o aprendiz supera o mestre. E aí, a criatura com quem você gastou tanta energia falando de liberdade, bate asas. Pra bem longe de você pra cumprir o dever de casa que você mesma passou. 

          Teimosa, você ensina umas tantas outras e o resultado será irremediavelmente o mesmo: você fica sempre sozinha, muito sozinha porque os aprendizes têm que exercitar longe do mestre o que aprenderam. Você não se importa, porque os filhos também são assim, E você sabe que esse é o curso normal do amor: respeitar a liberdade do outro. Liberdade de pensar, liberdade de agir e de escolher (bem ou mal, é uma questão de ponto de vista) , mas, essencialmente,LIBERDADE. Maiúscula mesmo.

          Você fica sozinha porque no meio das lições, afinal, você também explicou aquela coisa meio bíblica, meio Camões com Renato Russo, de “estar-se preso por vontade”. O problema, amiga, é que esta parte da lição eles nunca conseguem aprender direito. Só que se você aprendeu, já ganhou muito. O que o outro vai fazer com a lição mal compreendida ou não aprendida, por uma questão de liberdade, não é mais assunto seu.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 22/06/2007
Reeditado em 22/06/2007
Código do texto: T536717

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 56 anos
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Débora Denadai