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Vala comum

   A minha e a sua vida são assim como guerras. São guerras individuais e distintas umas das outras, cada qual com seus campos de batalha e armas. Mas há algo então, em comum que nos liga a uma vontade maior: temos todos os mesmos inimigos. Por mais que talvez o meu se disfarce assim e o seu daquele outro jeito, temos todos o tempo contra nós. Diferencia-se então, a forma como batalhamos contra esses adversários imaginários, mas ainda sim, por mais fictícios que possa dizer sê-los, são sempre os mais reais, os que mais te alcançam.
   Garanto uma vida de dor e muito sofrimento. Cada um de nós enfrenta então a guerra de uma maneira. Posso eu ter uma atitude mais agressiva, e você mais ofensiva. Ainda sim, o desfecho de cada batalha é imensamente diferente, e cada um desses finais é que vai traçar a trajetória que iremos seguir. No fim da guerra, todas as nossas experiências e vivências é que irão nos conduzir na direção certa. O que é correto para mim pode ser imoral para você.
   No final das contas, nada disso importa. Por mais que façamos tudo, pois nos foi concebido tal, não importa porque vamos todos terminar da mesma forma. Vamos todos terminar em alguma vala comum, quem sabe até eu e você no mesmo buraco. Não há então porque relutar em querer existir, em querer vencer. Nunca ganhamos essa guerra e nem nunca vamos ganhar. Há quem ainda queira ser um pouco mais otimista do que isso, e devo congratular todos esses pobres iludidos. Existe sim talvez certa glória em morrer lutando, mas existe ainda sim um certo toque do que é torpe na sua mais pura forma. Não existem premiações para os mais esforçados. Não há motivos para acreditar que seremos transformados em heróis, pois não há heróis.
   Resta-nos porém, ser imortalizados em nossas formas. Buscar uma forma de se manter e conservar para que os próximos soldados tenham algo para se apoiar. Sempre fora assim conosco, sempre tivemos uma muleta ou tipóia para nos socorrer quando quer que fosse a perda de um membro. Todos já perdemos uma perna ou um braço, e se ainda não aconteceu a um jovem é pois ainda está por vir o dia mais miserável de sua vida. Brigamos para não perder, mesmo tendo consciência do que está por vir. Ainda sim, não devemos perder a mais bela forma humana: a de ter fé.
Stephanie Correia
Enviado por Stephanie Correia em 16/07/2007
Código do texto: T566978
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Sobre a autora
Stephanie Correia
São Paulo - São Paulo - Brasil, 29 anos
71 textos (3490 leituras)
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Stephanie Correia