O RIO INTERIOR

Há um rio que corre no interior de todos nós, torrente que alterna lágrima e destempero, fluxo de consciência no qual correm soltos a emoção e a indiferença, há uma consciência eterna, cascata em queda nas profundezas do inconsciente, cortinas de fumaça e miçangas a ocultar a dançarina mascarada de mistério, numa cidade de luzes e fogo, chama eterna que nunca se apaga, onde se escureceu a lua, aqui há o sol encoberto pelo

espírito cinza do dinheiro.

Navega-se a fim de conquistar as Índias, tudo a que se chega é divã de psicólogo, dramas existenciais enquanto os pobres continuam doentes, espetáculo que esconde por trás das cortinas as gerações sem valores, pobres dos jovens! Já crescem sem esperança porque tudo era bom e barato na minha época.

É a real dimensão do eu, os sentidos do homem e do propósito de existir em meio ao vinho, os néctares da civilização, entre a tecnologia e as naus dos piratas; a

bússola nossa de cada dia, o descontrole alternado com a formalidade, AAAAAAAAAH... Respira, coração tranquilo, espinha ereta… OM.

Enquanto isso a pele do mundo a se rasgar, carne viva expondo os sentidos; dizem que à noite é de onde surgem os sonhos, revela-nos quantos gatos são pardos? A mente é maravilhosa, silêncio! Gênio trabalhando.

INCONSCIENTE - palavra cheia de significado por vezes tão ausente de sentido, onde se pode buscar sonhos com fadas e luz, também lá jazem as trevas e aranhas

venenosas, um escorpião nos persegue nas profundezas, AAAAAAI! Socorro fui envenenado! Agora estou :/

A culpa é desse governo golpista, a raiva é generalizada, crianças morrem doentes no hospital, estes canalhas desalmados não têm coração? É a existência, uma estrada atulhada de pedras onde cresce o cacto sagrado, mas a água é venenosa e mata em segundos, Oh salve-se quem puder! Oh quem poderá nos defender? EEEEEEEEEU! responde o xamã e curandeiro, soa ao longe a voz do político profissional; sai pra lá, eu sou a ciência e represento a verdade!

E cada um habita a mente do outro; sem que se quer, percebe-se: um penetra sorrateiro em nossos sonhos, sussurra devagar nos enlouquecendo, psiu… Invasor maligno, possessão. Outros nos levam para brincar nos campos, a sentir o aroma das flores, olha que coisa boa! De seu amor sente-se o sabor do mel, desvenda-se o prazer da fé e testemunho, mergulha-se na filosofia.

Segue a vida: uma espiral de Fibonacci, cada um é igual ao que se soma; nós? Formas geométricas girando no tempo e espaço, 1-1-2-5-8-13 (…), um é igual à soma do anterior, memórias e desejos que se somam, a evolução nos fortalece, a involução nos subtrai. Caleidoscópio, palavras, números, fórmulas, atos de fala. E entre as conchas do oceano, cadeias de cromossomos em espiral, nada do que é humano nos é desconhecido, mesmo que cada um de nós ainda seja uma prova dos mistérios do Cosmo.