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=== ÀS VEZES SÓ PRECISAMOS DE UMA FLOR ===


Me ofereceu uma flor fiquei sem saber o que fazer com aquilo.
Uma flor cheirosa, delicada e frágil, uma flor bela era tudo o que nunca fui. Olhar para aquela flor era me deparar com minhas mãos nada macias, meus gestos rudes e o cheiro de fumo e vinho que exalavam de mim
Sempre detestei flores até me deparar com uma delas e não saber como cuidar.  Flor não pode ser esquecida num canto qualquer como fazia com meus cactos na janela, pra mim que flor só servia pra marcar a página de um livro, e como tinha por ele um sentimento especial, não podia destratar a flor que me ofereceu.
Cuidei de procurar  jarro, não um jarro qualquer, talvez um jarro de vidro transparente, água pedras coloridas e a flor, arrumei um lugar para o jarro na sala, mas minha sala tinha cortinas escuras e um cheiro de livro esquecido na estante, era preciso trocar as cortinas por rendas, era preciso mais luz, mais cor,  a mesa onde colocaria o jarro precisava de toalhas, escolhi uma toalha de cor creme sempre odiei cores claras, mas a delicadeza da flor exigia esses tons
Na prateleira da sala além dos livros que nunca mais folheei, tinham umas peças de bronze antigo que sempre fiz questão de guardar, pensei que talvez um porta retratos combinava mais com ambiente.
Não foi fácil encontrar um  retrato em que eu sorria espontaneamente, percebi que quase não sorri ultimamente, escolhi uma foto das crianças elas parecem estar sempre  felizes.
Por fim minha sala era puro jardim colorido, a cortina de renda, a toalha em tom pastel, o retrato dos meninos sorrindo, o jarro de vídro, tudo mais parecia um altar ostentando a bela e delicada flor.
Mais tarde ele chegaria e queria que soubesse que cuidei da flor, vestia calça e camisa pretas o cabelo enrolado num elástico e nos pés um sapato preto também, agora percebi que não combinava nem um pouco com minha sala, procurei um vestido branco amarelado que quase nunca usei, soltei o cabelo e calçei uma sandália, borrifei um perfume de rosas que sempre achei doce demais, mas hoje combinava com o ambiente. Quando voltei pra sala percebi que o vento balançava a cortina de renda, o vento nunca conseguiu mover as cortinas verde-escuro de antes, era como se a vida invadisse meu lar e minha alma.
Ele disse que eu estava diferente naquela tarde, dessa vez tirei uma foto sorrindo então me dei conta que as vezes tudo o que a gente precisa é de uma flor...
Uma Loira Que Escreve
Enviado por Uma Loira Que Escreve em 12/07/2018
Código do texto: T6388565
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Uma Loira Que Escreve
São Paulo - São Paulo - Brasil
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