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Caixa de sonhos

A felicidade sempre foi a meta. Os bens adquiridos, os valores adicionais e as oportunidades, trouxeram-me apenas valorização social.

Ações na bolsa de valores e títulos,foram moedas fortes para a segurança imaterial. A maturidade me fez sentir investir no paraíso sempre dos meus sonhos.

Aprendi que nenhum amor é dócil. Ele só  existe nos contos de fadas. Ao despertar, me  senti  embalada numa caixa  de sonhos.

Numa tarde de dezembro, deprimida, contornei rapidamente os olhos com um lápis azul e a boca com vermelho intenso. Essa cor passou a representar meu sexo; ser mulher, trouxe-me momentos de agruras redobradas. Mas não me arrependo dos delírios vividos e das horas passadas nos braços de amores conquistados.

Nesta sociedade de consumo, só  inteligentes  os acham que podem sobreviver.  Somos transformados em máquinas para acelerar a produção. O excesso de ruído deixa-me invisível.

A tua alma continua colada à minha, o barulho das ruas abrem fendas no meu corpo. A flores que me deste, ao lembrá-las, voltam ao tempo. As pétalas saem pela boca.

Esperei demais. Não tenho mais forças para continuar a viver  ilusões. Deixo-te como se deixa a paixão adolescente por um artista de cinema.




Pedro Porta
Enviado por Pedro Porta em 29/08/2018
Reeditado em 30/08/2018
Código do texto: T6433455
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Pedro Porta
Campinas - São Paulo - Brasil
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Pedro Porta