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Velhecer*

I

Como aquele vinho do Porto
Presidential de 2000
em viagens mil
num sonho desfeito
pela imaginação, sigo desfeito
do momento perfeito
simulo vontades de amor perfeito
e vai ficar cá desfeito
talvez com o coração desfeito
ou filho ou sombra a jeito
árvore queimada sem jeito
porra que me dói o estômago...


II
Brindo às rugas no deserto
aos relógios partidos
à falta dos horários
aos Oásis nos paraísos de betão
sem saber bem o que dizer
se gosto mais deste ou daquele prédio
daquela fotografia à porta de casa
em que sorria contigo ao lado
do charuto cubano proibido
a fingir que o fumava gingão
perdido num puzzle incompleto
sem achar as peças que fazem falta
sem sequer verter
lágrimas de dor ou de corno afiado
de amor ou estertor anunciado

III
Cresceram-me uns cabelos brancos
uma vontade de maledicência sem limites
de fazer novas cruzadas e converter
a estupidez à ausência de preconceitos
que façam o que quiserem com eles
não façam as orgias porcas contra o mundo
a parte mais difícil é esquecer o átomo
subdividir vontades que são unas
não querer explorar a mina
pelo medo de ficar lá preso
por isso matam, esfolam , destroem
não há Deus, apenas Diabo
corações partidos em busca de amor
de tesão e compreensão
e ainda há quem diga ser feliz assim
talvez o seja e o desejo compense

IV
Compensa ter-vos por aqui
em possessas conversações sobre o amor
os amigos verdadeiros na fronteira do adeus
que se transforma sempre em renovado conhecimento
dos ascendentes fogosos ou tsunamicos
dos painéis solares sem Sol para aquecerem
dos átomos sem iões, electrões que os sustentem
apenas um poço de energia sem fim
gente sem vontade de esquecer
o melhor que a vida tem!


*expressão de Mia Couto encontrada no sublime «Crónicas do Nascer da Terra»
Manuel Marques
Enviado por Manuel Marques em 09/09/2007
Código do texto: T645676

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Sobre o autor
Manuel Marques
Espanha, 45 anos
548 textos (59034 leituras)
50 áudios (13973 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 16/12/17 22:41)
Manuel Marques