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Lamentar do Cajueiro.

Lamentar do cajueiro.

Porque choras menino e menina do olhar sombrio? Olhares acostumados a se perderem em trevas e fogo... Meninos e meninas com dores na alma...

Seus minúsculos desejos de infância foram cerceados pelos adultos. Crianças acostumadas com trevas e fogo. Crianças quebrantadas pelos adultos. Que tristeza...

Visão maravilhosa das imensas e numerosas praias que os rodeiam. Ao longe o sussurrar das ondas mistura com a melancolia de tão pequenos jovens. Que tristeza...

O imenso cajueiro parece lamentar por todo o ocorrido. Fruta simples, mas considerada exótica para muitos. Crianças que buscam descanso ao sol, crianças

que tem a penumbra da noite por companheira Penumbra quebrada por um fogo, onde uma lata é alimentada pelas castanhas do fruto. Que tristeza! A muito tempo ingerimos suas iden- tidades imprimidas nas castanhas do fruto.

Que tristeza... Olhos sem luzes a fitar o vazio. Mãos e dedos negros pela nódoa, carcomidos. Suas mãos são mais negras do que as penas da graúna Que tristeza...

Destino cruel, escravos da própria sorte. Seus semblantes deixam transparecer o pedido de uma nova princesa com uma pena de ouro para fazer uma nova abolição. Que tristeza meninos cajueiros! Que tristeza...
{Alfredo L. Brochado}
Lopes Alfredo
Enviado por Lopes Alfredo em 14/11/2018
Código do texto: T6502766
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Sobre o autor
Lopes Alfredo
Paraguaçu Paulista - São Paulo - Brasil, 63 anos
14 textos (194 leituras)
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