Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

A SORTE



Não sou (mais) a fêmea que por tantas vezes fui
Iludida pelo sentimento que engambela as pessoas
Me dando completamente para além até do que poderia
Nem a pessoa que se desdobrou inteira se fazendo outras
Para acompanhar o teu querer que precisava disso

Não sou quem conheceu o amor na sua forma mais iludida
Que me iluminei de prazeres e tarefas que consumiram a chama

Hoje trilho o caminho da sequidão de romantismo
Tenho comigo o gelo das certezas alteradas
Seguindo o trajeto que é comum a muitos
Sem o que ganhar dessa vida
Nem o que dar outra vez tão desavisada...

Conheci o revés da sorte humana
Numa sentença que não conhece o que fui
E fez de mim o que jamais serei e tento

O amargo do cotidiano desalmado
Vai me arrancando escamas da pele a cada sono nos lençóis
E o travesseiro já não balbucia nenhuma cantiga
Que me leve ao lugar de sonhos de antigamente

Nessa estrada existe o que de pior pensava antes
Tanto, que me tirou o medo da morte
Nessa dura sorte de não poder existir como sou.
Ene Ribeiro
Enviado por Ene Ribeiro em 10/01/2019
Código do texto: T6547309
Classificação de conteúdo: seguro

Copyright © 2019. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.

Comentários

Sobre a autora
Ene Ribeiro
Goiânia - Goiás - Brasil, 57 anos
18269 textos (293533 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 28/01/20 17:23)
Ene Ribeiro

Site do Escritor