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HAI....HELLO MUNDO !!


Do alto do meu coração sem paz,
Mando noticias ao mundo...
Daqui de dentro do meu bunker de vento
Longe da eternidade e do infinito
São quatro e meia da manha,
Meus olhos ardem, minha cabeça dói, minha alma dói.
Estou exausto!
Mas dentro de breve parto para o trabalho
Eu poeta louco, que faço no meio de tanta racionalidade?
Quando meu coração, esta válvula permanentemente aberta,
Não para de introjetar sonhos e buscar soluções inaplicáveis!
Ah, a vida é inexorável, eu sei, a vida é inexorável e tenho de vivê-la,
Só quero que me expliquem por que criaram tanta precisão, neste mundo tão impreciso!
Então, é por isso é que tenho que domar meu coração?
Às favas com as regras!! Às favas com tudo!!
Quero varar as madrugadas,
Com minha alma bêbada e infantil, à beira das enseadas,
Procurando o silencio e o mar

Alô Álvaro de Campos, Byron, Baudelaire, Rimbaud, mestres góticos da loucura e parceiros de infortúnio!
Alô Mallarmé e seu sonho grande e impossível!
Aos sonhadores
Eu temo dizer, mas tenho apenas noticias más
O homem não mudou , o mundo também é o mesmo
E será o mesmo por todo o sempre ou enquanto durar o sempre
Digo-lhes que os homens ainda são obtusos, claramente obtusos
E procuram pela luz que jaz em suas mãos e insistem em manter os olhos fechados
Eu que não procuro nada, simplesmente nada, por isto seria menos obtuso?
Ou sou obtuso porque deveria procurar as virtudes e ensiná-las aos outros?
Mas sou incapaz de ensinar qualquer coisa a quem quer que seja
Não posso, não poderia, assim como não poderia aprender mais nada!
Volto aos homens que andam pela vida, inconsequentemente
Como andaram seus pais e seus antepassados
Todos procurando alguma coisa que não tinham
Teriam achado algo que eu não sei?
Talvez por não procurar mais nada, me ache mais inteligente.
Os homens são os homens, assim como as pedras são as pedras
Assim foi e assim será e continuará sendo
Eu beberei a água da fonte esperando que seja mais que a agua da fonte
Que ela venha do poço da verdade que nunca vi
Porque tenho sempre o espírito imprestável
Que não me servirá para coisa alguma
Minhas certezas são poucas, mas são inexoráveis
Uma delas é que nada fiz para melhorar-me como indivíduo
No entanto vejo claramente os defeitos do meu semelhante
E os critico, porque sou igual a eles
Mas ainda assim, aceno para todas as pessoas como se fossem meus irmãos
E saúdo-os por suas existências superficiais, cotidianas e obtusas
Porém, eu passo por eles como tenho passado pela vida
Sem ajudar, sem se importar e nem compreender
E vivo com a sensação de que morrerei qualquer dia, ou a qualquer momento
Mais do que isso,
Tenho a certeza que esta será minha única contribuição à humanidade
Todos os homens servem para isto ou aquilo
Eu sirvo à inutilidade e descubro a assombrosa realidade das coisas
O que é espantoso, dado a minha incapacidade de entender suas naturezas!
 
Oh !!! Criaturas do meu tempo cibernético e tecnológico..!
Nunca sei se me sirvo da tecnologia ou ela serve-se de mim?
O mundo é tecnológico, mas ainda assim é o velho mundo torto
Ninguém criou ainda uma forma para ser feliz
Nem explicou coisa alguma
Também ninguém aliviou o fardo cruel da existência
Explicações para tudo isso?? Nem pensar !!!
Eu porém, não tenho mais esperanças...
O futuro nunca será melhor que o passado, nem do que o presente
Porque o passado foi o futuro um dia para alguém e o presente está sendo a toda hora e nada de extraordinário aconteceu !
A felicidade não virá de onde se espera, o ódio não será eliminado das bocas, os bons não se revelaram tão bons
E os maus estão cada vez melhores.
Assim a alma humana não será salva!!
Ninguém tem a salvação, nem as respostas que a humanidade procura, nem Bill Gates as tem nem pode comprá-la. Nem os profetas do passado as tiveram, nem os do futuro as terão!
Mas os homens continuarão comprando livros, comprando fé e espaços nos purgatórios tudo inutilmente. O software da existência foi escrito por deuses loucos ou sacanas! Assim como poderia ter eu,  alguma resposta?
Teriam os príncipes, videntes ou filosofos, guardado algum segredo ainda não revelado? teriam os reis sabido de alguma coisa nova?
Não meu caro,  príncipes  e reis não existem mais.. seus reinos foram extintos e seus castelos viraram shopping centers de curiosos.

Òh!! Racionalidade vã e doente!

Que faz os homens queimarem seus dias, no fogo quente de suas atribulações mesquinhas e cotidianas
Eu gostaria de buscar algo grande que fizesse meu espírito alto
No insaciável de minha inquietude
E pudesse orientar meus companheiros com minhas novas descobertas sobre os ditames da vida
Mas sequer gosto de levantar cedo...
E durmo com o dia entreaberto lúcido como uma lua na noite inquieta
Claro e perceptivo como a realidade estúpida que me cerca
Vivo a realidade  porque não consigo abandoná-la nos becos das madrugadas
As madrugadas tem tido mais encantos que os livros e explicam mais as filosofias!
Se ao menos raiasse alguma luz que me ensinasse a não pensar!
 
Alô homens do meu tempo cibernético e infeliz!
Não tenho mais nada a lhes dizer
Diferentemente de vocês que tem tantos planos,
Eu caminho para algum porto de partida
Mal compreendendo, mal dissimulando, mal aceitando.
Que diferença faz?
Eu misto poeta, misto besta, misto qualquer coisa que anda, que come e que sonha e que pensa, deito palavras como se deitam as pedras explodidas nas pedreiras
Nas explosões de alguma inspiração
Porém as palavras não são mais sábias, nem mais úteis do que as pedras, nem fazem mais sentidos, não tem mais valor, nem são mais duradouras! Por fim, como as pedras, nada ensinam
Minhas mãos estão calejadas, deveria ser de carregar pedras e não de deitar palavras!
Meu coração, este doido, também está calejado de bater e sonhar
Alôô ...todos que tem a paciência de me lerem..!
Eu queria acalentar-lhes com o ardor juvenil do meu coração de outrora, tão incansável
E embora alerte-os dos vícios incuráveis deste louco, continuarei com ele, atrás das ilusões, mesmo que minha consciência me diga que elas são apenas fugas, alucinações e loucura!
Mas, para você ficar contente, direi que  buscarei a felicidade porque já disse, sou um doido
Sou doido, porque cretinamente creio, que somente os doidos têm alguma chance de ser feliz!
Esta seria uma das minhas poucas certezas
Assim sendo, digo-lhes que buscarei também alguma luz
 Embora saiba que a escuridão é a minha bússola quebrada, que me desorienta
E me inspira.
 
Oh Deus...!
Engulo toda a luz do abismo que me cerca
E caminho para algures onde o silencio não cuida de mim
Ele apenas me abraça, e me põe a ver o mundo,
Absurdamente ver o mundo.


Celio Govedice
Enviado por Celio Govedice em 16/09/2007
Reeditado em 12/10/2016
Código do texto: T655425
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Celio Govedice
Santana de Parnaíba - São Paulo - Brasil
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Celio Govedice