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DIA DOS NAMORADOS, PRA FALAR DE AMOR

Pode parecer estranho evocar a imagem de uma casa em ruína para falar de amor no dia dos namorados. Para falar de amor toda metáfora alça voo cansado. Amor é... Amar não é... (lá vem ele filosofar! blá blá blá). Não me dê ouvidos, ando surdo pra mimimi.

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Eu experimentei o amor de inúmeras formas, uma vez amei perdidamente um dicionário, amei e odiei Proust, tracei Saramago noites a fio, tive um caso platônico com Adélia Prado e uma paixão fulminante por Hilda Hislt. A lista é grande, cheguei a não querer mal ao meu inimigo porque me aproximei de amar sua história. Me dei mal toda vez que amei na vida, eu começo pelo fim e agonizo no parto, amar tem fim mas o amor não perece.

Há um jeito estranho de amar que recusamos admitir, é ver no fim de uma história de amor florescer outra. Não assim emendada como ficou na frase, isso leva muita demão de tinta - ou de tempo. Dói diferente em cada um o espaço sequioso entre uma coisa que morre e outra que nasce.

De modo que hoje, 12 de junho (dia dos namorados) comparo o Amor com a construção-demolição-reconstrução de uma casa que pode tanto ser alugada ou comprada ou financiada ou terceirizada porque somos capazes de sentir o amor dos outros. Pode ser casa de sapê, palafita, tijolos, pedras ou palha - penso que a choupana coberta de folhas de buriti na orla da praia desconhecida dos turistas é mais romântica que o casebre no pé da colina. Mas o que dizer das casas que foram abandonadas? Sinto uma dor aguda em fotografar histórias de amor paradas no tempo.

São tantos motivos, uma casa abandonada está sozinha. Até que imagino os tijolos caídos no chão erguerem novas paredes. Até que imagino as janelas no prumo sustentando os telhados. Até que as paredes descascadas sejam pintadas. Até que o passeio receba novo jardim.

Sei que restaurar amor perdido é mais difícil que construir habitação nova. Quem ama aprende teimar, e a teimosia às vezes leva o amor mais adiante. Mas tudo isso é um exercício de fotografia e caligrafia, na verdade não sei nada sobre o amor. Sei que não tenho idade para confundir amor com a paixão porque ao poeta "Deus deu um amor no tempo de madureza, quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.

É tão bom falar de amor. Melhor ainda é amar.
Prometo em público dizer menos e amar mais.
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Baltazar Gonçalves
Baltazar Gonçalves
Enviado por Baltazar Gonçalves em 12/06/2019
Reeditado em 12/06/2019
Código do texto: T6671174
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Sobre o autor
Baltazar Gonçalves
Franca - São Paulo - Brasil
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