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A VIAGEM

      Místico plasma... fora e dentro... de tudo
   Onde o silêncio se faz... palavras... e cores
 Onde o som se faz... formas... aromas
    Do todo sensível que se conjuga... e se reúne... transforma...
  Nesta morada a habitar os corpúsculos
E mesmo o ilimitado e substancial cosmos... nossa casa... nosso lar
    Num'harmonia e movimento... em seu vital equilíbrio

    Plasma quântico... e sacro!
  Energia... pura!
      Seja na célula... seja na molécula...
   Seja no mundo... seja em todo o Cosmos

  Naquela misteriosa viagem a se fazer... a Alma do Universo
      E assim, ei-la a navegar no citoplasma
 Entre mitocôndrias e ribossomos
    A encostar-se, às vezes, nos complexos de Golgi e lisossomos
       Perfeição orgânica e tão bela!
  E como tudo ali é organizado!
    Sublime formosura!
 A que impossível s'excluir ou fragmentar o que ali a Vida fixou
   Dos olhos d'alma a s'embriagarem na visão do que s'enxergam
     [sob a luz do microscópio que naquele momento fulgura

    E o que não se dizer do macrocosmos... o incompreensível Universo?
 Do que mais se parece como um translúcido quartzo
      Ilimitado e infinito espaço
  Da luz qu'então se ausentaria?
  Mas, seria, pois negra a eterna noite sem o sol... sem as estrelas?
       Ou não seria tão somente... transparente?

    Todavia, a luz não se ausenta... (enquanto houver olhos despertos)
  Do que se inebriam frente ao que s'encontram:
    Os astros... os cometas... as estrelas... a lua... o sol...
 E como estariam se nest’hora estivessem diante aos anéis de Saturno?
      Ou então de fronte à grandeza de Júpiter?
  Ah! Quiser'eu ter um potente telescópio!
    Ao que em todo o tempo viajaria com meus olhos
       [para o mais distante de tudo...!

     Fantástico mundo... da sagrada Matéria!
  Dentro e fora...
       Fora e dentro!
 (Embora tão odiada por muitos falsos e idiotas espiritualistas...
    [que não entendem de nada!)

       Mas, e o Tempo?
  Sê-lo-ia tão infinito quanto o infinito do Nada?
   Ou melhor, o Nada... existe?
 Do Espaço que ilimitadamente... se faz para frente e acima
       Como a Matéria que infinitamente se fraciona
  Onde a metade de um é igual a meio
    Em que a metade deste meio será igual a um quarto do primeiro
  E a metade deste quarto é igual a um oitavo...
     E por aí vai...

      E assim ved'então o extensivo e incrível... Tempo
  D'um antes que sempre existiu
    E n'um após que sempre s'haverá
 A lembrar-me aqui um místico cântico do Rigveda
   E também o prólogo do Evangelho de São João

      E a alma segue...
 Às vezes trêmula e contraída no arrepiar-se de sua noite
   Frente ao horror do penhasco do desconhecido
     Do sombrio abismo que a convida a nele atirar-se
  Entre mil desejos e convulsos temores
      Entre lembranças... e aquela teimosa esperança
   Entre fugazes amores... e efêmeras dores

     Oh! Que sorte esta... a sua!
 Nesta nostálgica viagem... a também s'encontrar com outras almas
  No paradoxal Tempo em que se amam e se odeiam
     Em que se abraçam... e se agridem
   Em que se acham e... se despedem

      Ai! que consolo haverá, pois por esta pena?
  (Que somente os bravos vencedores o saberão?)

  E neste inexplicável e quântico plasma
    [eis que, finalmente, as almas beijam, com amor... a Morte
       Aquela que sempre à espreita s'esteve

    Contudo, não será o fim... de tudo... nem de nada
       (visto que não pode haver fim)
  Pelo que a Energia não se fragmenta
      E o que é Tudo... senão energia condensada?
   Não! Não existe... o Nada!

       Oh! Não tenhamos medo!
   Pelo que virá, inexoravelmente, este formoso dia
 E não mais se ouvirá o tumulto das antigas vozes d'outrora
   Nem se encantará a alma com as visões das fictícias fadas...
      Efêmeras e enganosas fantasias
   Nefastos e perniciosos medos...

   Não! Não tenhamos medo, oh! de form'alguma!
     A viagem não se finda em nenhum prazo
   A viagem segue...
       E sempre segue... adiante
    A ir além...



                            ************************

                                 08 de outubro de 2019



Paulo da Cruz
Enviado por Paulo da Cruz em 08/10/2019
Reeditado em 08/10/2019
Código do texto: T6764238
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Paulo da Cruz
Curvelo - Minas Gerais - Brasil
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