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SAUDADE NOSTALGIA NEBLINA

É difícil extrair quem somos do que nos disseram ser.

O nome que damos as coisas também tem nome,
é o tal substantivo. Substantivo não é verbo,
verbo é a ação do sujeito que é outra categoria de coisa
e tanto pode ter nome próprio com letra maiúscula
ou ficar na invisibilidade oculto por não se sabe quanto tempo.

Um poeta disse que o nome das coisas não são as coisas,
sei desde menino que as palavras têm o poder de fixar na memória as sensações que experimentávamos no momento que as ouvíamos pela primeira vez e aceitávamos como realidade o que elas representavam.

Que fique bem claro pra quem não é especialista:
linguagem é representação e cada um de nós é acúmulo de linguagens porque somos coisa nomeada, que se representa e é representada.
Gente é coisa tornada insignificante
embora os significados ocultos façam diferença.
Difícil mesmo é extrair quem somos de tudo que inventamos.

Quando digo 'sou ele' se me perguntam quem sou, basta dizer neblina e a sensação de reviver o que está no passado volta refazendo sentidos, mudando o que penso de mim e descobrindo na densidade branca opaca de NEBLINA outro eu que dormia.

Franca amanheceu nublada, sinto que sou por um momento habitante de um wigwam cantado por Dylan.

Na boca do Rosa, Riobaldo lamenta feliz que "Diadorim deixou de ser nome.” - parafraseando o mestre, a palavra neblina virou sentimento meu: hoje meu canto é lamento úmido.

Até que o sol aqueça meu quintal, a dor no meu peito tem nome e sobrenome, SAUDADE NOSTALGIA NEBLINA fará de mim eu compacto e descontínuo, sujeito tão opaco e triste quanto a canção de Bob Dylan na tessitura do tempo entrecortado substantivo.
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Baltazar Gonçalves
Baltazar Gonçalves
Enviado por Baltazar Gonçalves em 08/11/2019
Código do texto: T6789993
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Baltazar Gonçalves
Franca - São Paulo - Brasil
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