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A morte do sertão

Lí de Borges que leu todos os livros
Que um ponto contém todos os pontos.
Então tristemente constato que ,
todas as árvores do planeta estão para ser cruelmente afetadas.
No bairro de onde escrevo neste instante,
vinte e cinco Pés de quase centenários Angicos
estão para ser arrancados.
Para ceder lugar a fúria do mercado.
A triste cidade onde passei a minha infância, não liga sequer para a lembrança do cerrado.
Na forma da lei podem arrancá-los.
têm o direito. Disseram.
Ora lei!
E aquilo que está acima do direito?
A compaixão
Que faz com que mesmo o tendo, dele se abra mão
É o que diferencia dos tolos, o homem nobre,
os sábios, e os prudentes  reis
Ah! Já se foi o cheiro do alecrim,
Se foi também a geométrica beleza das pindaíbas,
Os pés de gabiróbas, o cambuí
O pintassilgo e tantos pássaros, a jatí!
Se vão agora os pés de angico.
A expansão do bicho homem, é a pior epidemia:
" Não há como contê-la nem alcançá-la"
É a morte dos sertões
Grácio Reis
Enviado por Grácio Reis em 04/10/2007
Reeditado em 05/05/2008
Código do texto: T680517
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Sobre o autor
Grácio Reis
São Paulo - São Paulo - Brasil, 64 anos
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Grácio Reis